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Vorcaro relatou a Moraes tentativa de salvar Master no dia em que foi preso

Mensagens indicam que banqueiro também tratou com ministro do STF sobre investigação que acabaria levando à sua prisão

Dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, apreendido pela Polícia Federal (PF) no momento da prisão no ano passado, indicam que o banqueiro prestava contas a Alexandre de Moraes sobre o andamento das negociações para a venda do Banco Master.

As mensagens também sugerem que o banqueiro tratou com o ministro do Supremo sobre o inquérito sigiloso que tramitava na Justiça Federal em Brasília e que acabou resultando em sua prisão na Operação Compliance Zero.

Nas mensagens, Vorcaro relata a Moraes que antecipou o negócio envolvendo o Master e que conseguiu salvá-lo, embora não fosse do jeito que ele queria. Também menciona um vazamento que “será péssimo, mas pode ser um gancho para entrar no circuito do processo”. Duas vezes, durante o dia, ele pergunta ao ministro se havia alguma novidade e ainda questiona: “Conseguiu bloquear?”.

Os prints de 9 mensagens trocadas entre os dois via WhatsApp entre 7h19 e 20h48 daquele dia foram obtidos pela jornalista Malu Gaspar, do O Globo. O último contato ocorreu pouco mais de uma hora antes da abordagem policial que resultou na prisão de Vorcaro no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), por volta das 22h.

Segundo os registros, Vorcaro e Moraes escreviam as mensagens no bloco de notas do celular, tiravam prints e enviavam como imagens de visualização única. Por isso, as respostas do ministro não ficaram armazenadas no aparelho. Já as mensagens do banqueiro permaneceram acessíveis.

Os horários das notas salvas no celular coincidem com os envios, geralmente um minuto depois. Apenas uma mensagem apresenta intervalo de seis minutos entre o salvamento e o envio.

Em seguida, o dono do Master muda de assunto: “De um lado, acho que o tema de que falamos começou a dar uma vazada, obviamente sem qualquer detalhes (sic). Mas a turma do BRB me disse que tá tendo um movimento de sacanagem do caso. E que a mesma jornalista de antes estava fazendo perguntas lá”.

O trecho seguinte parece fazer referência ao inquérito sigiloso na Justiça Federal: “Se vazar antes será péssimo, mas pode ser um gancho para entrar no circuito do processo”. Ele conclui: “Se tiver alguma novidade vamos falar”. Moraes respondeu às 8h16 com mensagem de visualização única.

3 horas depois da resposta do ministro, às 11h08, um site publicou a informação de que havia um inquérito na 10ª Vara Federal de Brasília sobre uma fraude bilionária envolvendo a compra do Master pelo Banco de Brasília, sem mencionar risco de prisão.

De acordo com a PF, Vorcaro obteve informações sobre o inquérito sigiloso por meio de acesso ilegal aos sistemas da própria corporação. Depois, teria usado o site para tornar o caso público e apresentar uma petição ao juiz Ricardo Leite.

No documento, a defesa tentou impedir “medidas cautelares eventualmente requeridas” e barrar o risco de prisão do banqueiro. A ordem de prisão havia sido assinada às 15h29. A petição foi enviada às 15h47.

Às 17h22, com a negociação do Master prestes a ser noticiada, Vorcaro voltou a escrever a Moraes: “Fiz uma correria aqui pra tentar salvar. Fiz o que deu, vou anunciar parte da transação”. Quatro minutos depois, enviou nova mensagem: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”. Moraes respondeu às 17h31 com mensagens de visualização única.

Às 20h04, o banqueiro voltou a perguntar ao ministro do STF: “Alguma novidade?”. O magistrado respondeu às 20h21 e 20h23.

A última mensagem foi enviada por Vorcaro às 20h48: “Foi. Seria melhor na sexta junto com os gringos mas foi o que deu pra fazer dentro da situação”. Em seguida escreveu: “Acho que pode inibir”. E concluiu: “Amanhã começam as batidas do [André] Esteves [dono do BTG Pactual]. Tô indo assinar com os investidores de fora e estou online”.

Segundo os registros obtidos pelo jornal, Moraes não respondeu com nova mensagem e reagiu apenas com um emoji de polegar levantado.

Há ainda outro registro de diálogo entre Vorcaro e Moraes em 1º de outubro de 2025, sem conteúdo disponível, pois as mensagens foram apagadas ou enviadas com visualização única. Investigadores da PF também identificaram registros de telefonemas entre o ministro do STF e o dono do Master.

Procurado pelo jornal, Alexandre de Moraes preferiu não se manifestar sobre o caso. Em nota enviada na tarde de ontem (05), o ministro do STF afirmou que “não recebeu as mensagens referidas na matéria”. Disse ainda que “trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”.

A defesa de Vorcaro também informou ao Globo que não comentará as conversas.

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