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PF diz que Vorcaro era ‘profissional do crime’ e comandou ataques a autoridades mesmo após prisão

Investigação diz que organização criminosa liderada por banqueiro tinha ‘braço armado’ e só poderia ser neutralizado com prisão; defesa de Vorcaro afirmou que ele ‘jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades’

A Polícia Federal disse que o banqueiro Daniel Vorcaro e seus aliados mais próximos atuaram como “profissionais do crime” por meio da cooptação de servidores públicos, do uso de um braço armado e da contratação de influenciadores para atacar autoridades públicas que atuaram contra os interesses do Banco Master, mesmo após ele ter sido preso na primeira fase da Operação Compliance Zero.

A defesa de Vorcaro afirmou que o banqueiro colaborou “de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”. (Leia a íntegra abaixo.)

Com base nesses argumentos, a PF afirmou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que somente a prisão preventiva seria capaz de neutralizar a ação de Vorcaro e de seus aliados.

“Verifica-se, portanto, que a atuação da organização criminosa não é pueril. Pelo contrário, são profissionais do crime, que atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da república, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário, buscando assim construir um cenário favorável de enfraquecimento do Estado e permanência da delinquência alcançada, mesmo que para isso tenham que se utilizar de atos de violência física e coação por meio de sua milícia”, escreveu a PF, na representação enviada ao STF.

Por isso, a Polícia Federal disse que até mesmo a integridade física dos investigadores da PF e do Ministério Público estaria em risco caso a organização criminosa não fosse neutralizada, por meio da prisão.

“A presente investigação criminal sobre organização criminosa estará em risco, reprise-se, risco concreto, inclusive quanto a integridade física dos servidores públicos responsáveis pela apuração (PF, MPF, STF, BCB), enquanto não houver a completa neutralização do braço armado da organização criminosa, em toda sua extensão”, escreveu a PF.

De acordo com a investigação, Vorcaro contratou influenciadores mesmo após ter sido preso em novembro, o que indica a continuidade da prática de crimes, conforme revelou o Estadão em janeiro deste ano.

“(As) ações prosseguiram mesmo após sua prisão e posterior revogação pelo TRF1, no dia 28 de novembro de 2025, uma vez que a contratação de influencers para a execução do ‘Projeto DV’ foi colocada em prática logo depois, isto é, no mês de dezembro de 2025 e tinha o objetivo de atacar a reputação do Banco Central do Brasil no mesmo período em que o Tribunal de Contas da União emitia sinais de que desfaria a liquidação extrajudicial do Banco Master, anulando assim uma decisão da Autarquia Federal”, diz a PF.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE DANIEL VORCARO

A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.

A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta.

Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.

As informações são do ESTADAO

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