A postura do ministro Dias Toffoli diante da grave crise que envolve o Banco Master levanta mais dúvidas do que respostas. Embora tenha buscado se justificar publicamente, suas explicações ficaram aquém do que a sociedade espera de um integrante da mais alta Corte do país, sobretudo em um episódio que envolve o sistema financeiro, interesses sensíveis e potenciais impactos institucionais.
Ao optar por declarações genéricas e por um discurso defensivo, Toffoli deixou de enfrentar pontos centrais do debate. Não esclareceu, por exemplo, a extensão de sua participação, o contexto preciso de suas decisões e as circunstâncias que cercam sua relação com agentes direta ou indiretamente envolvidos no caso. Em vez de transparência plena, o que se viu foi uma tentativa de encerrar o assunto sem o devido aprofundamento.
A crise do Banco Master não é um tema menor. Trata-se de um episódio que exige clareza absoluta, não apenas por seus reflexos econômicos, mas pelo simbolismo institucional que carrega. Quando um ministro do Supremo Tribunal Federal se vê no centro de questionamentos dessa magnitude, o padrão de explicação não pode ser o mínimo necessário para afastar críticas, mas o máximo possível para assegurar confiança pública.
O silêncio sobre aspectos relevantes, somado à falta de respostas objetivas, acaba alimentando especulações e desgastando ainda mais a credibilidade das instituições. Em um momento em que a sociedade cobra coerência, ética e responsabilidade, justificativas incompletas não cumprem o papel de pacificar o debate — ao contrário, aprofundam a desconfiança.
Mais do que se defender, Dias Toffoli tinha a oportunidade de esclarecer, com dados e fatos, todos os pontos sensíveis do episódio. Ao não fazê-lo, deixou no ar a sensação de que há muito ainda a ser explicado no caso Banco Master, e que a transparência, mais uma vez, ficou em segundo plano.
**Poliglota é jornalista, especialista em políticas públicas do DF e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília





