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VÍDEO: Vorcaro desafia investigação sobre o BRB, nega fraude bilionária e cobra da PF apuração baseada em fatos

Em depoimento prestado em 15 de setembro, ex-controlador do Banco Master afirmou que não prejudicou o banco público de Brasília, contestou as suspeitas e pediu perícia independente. Polícia Federal, porém, aponta indícios de crimes financeiros.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, negou ter cometido fraude nas operações financeiras realizadas com o Banco de Brasília (BRB) e pediu à Polícia Federal que examine os fatos de maneira técnica, sem se deixar influenciar pela pressão pública em torno do caso.

As declarações foram prestadas em 15 de setembro de 2026, durante depoimento à Polícia Federal, mas só ganharam ampla repercussão nos dias 29 e 30 de outubro, depois do indiciamento de Vorcaro e de outros investigados no caso Banco Master/BRB e a divulgação de trechos da oitiva e a conclusão de uma etapa das investigações.

Vorcaro, que está preso no Distrito Federal, afirmou que as operações com o BRB apresentaram problemas que teriam sido corrigidos e contestou a acusação de que o banco público tenha sido vítima de uma fraude bilionária.

Banqueiro nega fraude e pede investigação técnica

Durante o interrogatório, Vorcaro insistiu que não teria causado prejuízo ao BRB. Segundo sua versão, quando foram identificados problemas em determinadas carteiras de crédito negociadas entre as instituições, ele providenciou a substituição por outros ativos, inclusive de seu patrimônio pessoal.

O ex-banqueiro afirmou que essas providências teriam sido adotadas de boa-fé e que o valor dos ativos oferecidos seria suficiente para compensar as operações questionadas.

Ele também pediu que fosse realizada uma perícia independente, preferencialmente por uma empresa internacional, para avaliar os ativos envolvidos nas transações.

Na avaliação apresentada por Vorcaro, uma análise técnica completa poderia esclarecer o que realmente ocorreu e demonstrar que não houve a fraude apontada pelos investigadores.

Essas afirmações, entretanto, representam a versão do investigado e ainda não foram confirmadas por decisão judicial.

Vorcaro questiona pressão sobre os investigadores

Um dos momentos de maior repercussão do depoimento ocorreu quando Vorcaro afirmou que o caso havia adquirido dimensão nacional e que a Polícia Federal também estaria submetida a pressões.

Segundo ele, seria necessário examinar toda a documentação e o contexto das operações antes de concluir que houve fraude.

O banqueiro sustentou que a repercussão do caso teria contribuído para consolidar uma interpretação desfavorável às suas operações e cobrou dos investigadores disposição para avaliar sua versão.

A declaração coloca em discussão um princípio fundamental de qualquer investigação criminal: as conclusões precisam ser sustentadas por provas, documentos e análises técnicas, independentemente da repercussão política ou midiática do caso.

Isso não significa, contudo, que esteja comprovada a existência de interferência política na investigação. Até o momento, as informações públicas consultadas não demonstram que a Polícia Federal tenha conduzido o procedimento para atender a interesses partidários.

O que a Polícia Federal encontrou?

Apesar das negativas de Vorcaro, a investigação apresenta conclusões diferentes.

Na quarta-feira (28), a Polícia Federal indiciou o ex-banqueiro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e outros investigados por suspeitas relacionadas às operações entre as instituições.

Os investigadores apontam indícios de irregularidades na negociação de aproximadamente R$ 12 bilhões em carteiras de crédito, incluindo operações com ativos considerados problemáticos ou sem lastro suficiente.

Entre os crimes atribuídos a Vorcaro estão suspeitas de gestão fraudulenta, fraude à fiscalização, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

A Polícia Federal também questiona a regularidade dos ativos utilizados para substituir as carteiras inicialmente negociadas.

O indiciamento é um ato da investigação policial e não equivale a uma condenação. Os investigados têm direito à ampla defesa e ao contraditório.

Defesa contesta conclusões e pede arquivamento

Vorcaro afirmou estar preso injustamente e solicitou o arquivamento da investigação.

Sua defesa também contestou o relatório de indiciamento, alegando que a Polícia Federal teria antecipado conclusões antes de esclarecer integralmente as operações.

Para os advogados, seria necessário aprofundar as análises documentais e periciais antes de atribuir responsabilidade criminal aos envolvidos.

A Polícia Federal, por sua vez, sustenta que reuniu elementos suficientes para fundamentar os indiciamentos, encaminhados ao Supremo Tribunal Federal.

O que está em jogo para o BRB e para Brasília?

O caso tem especial importância para o Distrito Federal porque envolve o BRB, instituição financeira controlada pelo governo local.

As investigações levantam questões sobre a regularidade das operações, os mecanismos internos de controle, a avaliação dos ativos negociados e a eventual existência de prejuízos.

Também será necessário esclarecer as responsabilidades individuais de administradores e demais envolvidos, sem antecipar conclusões sobre culpa ou inocência.

A perícia defendida por Vorcaro poderá ser um dos elementos considerados na discussão, mas sua realização e seus resultados dependerão dos procedimentos legais e das decisões das autoridades competentes.

A questão central permanece aberta: a versão apresentada pelo ex-banqueiro corresponde à realidade das operações ou os elementos reunidos pela Polícia Federal demonstram a ocorrência dos crimes investigados?

A resposta dependerá do conjunto das provas e de sua avaliação pela Justiça.

Em um caso que envolve bilhões de reais e uma instituição pública de grande importância para Brasília, o interesse da sociedade é que os fatos sejam esclarecidos com transparência, rigor técnico e respeito às garantias legais — sem condenações antecipadas e sem descartar as evidências produzidas pela investigação.

Assista ao vídeo do depoimento:

Da redação por Jorge Poliglota…

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