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Celina Leão rejeita ataques pessoais, dispensa debate com Grass e denuncia propaganda com número errado para confundir eleitores

Governadora afirma que não aceitará provocações e interrupções do adversário. Distribuição de panfletos associando Celina ao número 22, quando seu número correto é 11, acaba na Justiça Eleitoral

A poucos dias do segundo turno das eleições para o Governo do Distrito Federal, a governadora Celina Leão (PP) decidiu não participar do último debate promovido pela TV Globo, marcado para esta quinta-feira (22). A decisão, segundo sua coordenação de campanha, está relacionada a um compromisso previamente agendado e ao descontentamento com os ataques pessoais que, na avaliação da candidata, têm marcado os encontros com seu adversário, Leandro Grass (PT).

Em nota, a campanha informou que Celina mantém sua disposição de discutir propostas e apresentar seu plano de governo, mas considera que as provocações pessoais prejudicam o debate sobre os problemas enfrentados pela população do Distrito Federal.

A ausência da governadora fará com que a TV Globo realize uma entrevista de 20 minutos com Leandro Grass, conduzida pelo jornalista Heraldo Pereira, conforme as regras estabelecidas previamente pela emissora.

Celina diz que não aceitará interrupções e desrespeito

A decisão da governadora não surgiu de última hora. Durante entrevistas concedidas nesta semana, Celina relatou episódios que, segundo ela, demonstram a dificuldade de manter uma discussão respeitosa com o adversário.

A candidata afirmou que foi interrompida diversas vezes durante debates anteriores e acusou Grass de elevar o tom de voz e dirigir ataques pessoais enquanto ela tentava apresentar suas propostas.

Para Celina, o confronto político deve ocorrer no campo das ideias, das realizações administrativas e das soluções para o futuro do Distrito Federal, e não por meio de ofensas.

A governadora também questionou a insistência do adversário em concentrar parte de sua campanha nas críticas à atual gestão, argumentando que os eleitores precisam conhecer propostas concretas para áreas como saúde, educação, segurança pública e transporte.

Grass, por sua vez, contesta a versão da governadora, nega ter adotado o comportamento descrito por ela e acusa a campanha adversária de práticas irregulares.

Panfletos com número errado levam disputa à Justiça Eleitoral

Mas outro episódio ocorrido nesta reta final da campanha acrescentou uma preocupação ainda mais delicada ao processo eleitoral.

A coligação de Celina Leão acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) após a distribuição de panfletos ligados à campanha de Leandro Grass que associavam a governadora ao número 22.

O problema é que o número correto de Celina Leão para o Governo do Distrito Federal é 11, e não 22.

Segundo a representação apresentada à Justiça Eleitoral, o material foi distribuído nas proximidades do UniCEUB, na Asa Norte, na noite de segunda-feira (19), em uma atividade da qual Grass teria participado.

O impresso colocava, de um lado, os nomes de Lula e Leandro Grass associados ao número 13 e, do outro, Flávio Bolsonaro e Celina Leão associados ao número 22, com uma marca gráfica de rejeição.

Embora o número 22 corresponda ao utilizado por Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, ele não identifica Celina na eleição para governador.

A campanha da governadora sustenta que a apresentação gráfica pode induzir parte dos eleitores ao erro na hora de votar. A preocupação tem fundamento prático: a digitação do número 22 para o Governo do DF não corresponde a uma candidatura válida e pode resultar na anulação do voto.

Na representação, os advogados de Celina solicitaram a suspensão da distribuição do material, além de medidas para recolher os exemplares. Até a publicação das reportagens consultadas, não havia decisão judicial sobre o pedido.

Erro de numeração ou estratégia para confundir o eleitor?

O episódio levanta um questionamento importante: qual a necessidade de associar uma candidata a um número diferente daquele que efetivamente aparece na urna eletrônica?

Para a coligação de Celina, a situação ultrapassa os limites de uma simples comparação entre projetos políticos e representa um risco de desinformação eleitoral.

A defesa da governadora argumenta que a confusão pode prejudicar eleitores menos familiarizados com os números dos candidatos, especialmente aqueles que utilizam materiais impressos como referência na hora de votar.

O PT-DF, entretanto, rejeitou a acusação. Em nota, afirmou que o panfleto respeita a legislação eleitoral e que sua finalidade é comparar os projetos políticos em disputa. A legenda também apresentou críticas à campanha de Celina, mencionando decisões anteriores da Justiça Eleitoral relacionadas a propagandas irregulares.

Portanto, embora a distribuição do material com a numeração 22 esteja documentada, a intenção deliberada de confundir eleitores ainda é uma alegação da campanha de Celina, não uma conclusão estabelecida pela Justiça.

Pesquisa Quaest mostra Celina com 15 pontos de vantagem

Em meio às divergências entre as campanhas, Celina Leão chega aos últimos dias da disputa numericamente à frente de Leandro Grass.

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) aponta a governadora com 50% das intenções de voto, enquanto o candidato petista aparece com 35%, uma diferença de 15 pontos percentuais.

O levantamento ouviu 1.104 eleitores entre os dias 17 e 20 de outubro, possui margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número DF-00402/2026.

Apesar da vantagem registrada pelo instituto, o resultado definitivo dependerá da votação de domingo (25).

O eleitor merece propostas, respeito e informações corretas

A discussão sobre os debates e os panfletos traz à tona uma questão que vai além da rivalidade entre Celina Leão e Leandro Grass: a responsabilidade das campanhas com a qualidade da informação oferecida à população.

Críticas à administração pública são legítimas e necessárias em uma democracia. O candidato de oposição tem o direito de questionar decisões, cobrar resultados e apontar problemas. Da mesma forma, quem governa precisa prestar contas e responder aos questionamentos.

O que não pode ser tratado como algo secundário é a necessidade de preservar o respeito entre os concorrentes e, principalmente, garantir que o eleitor receba informações corretas sobre o processo de votação.

A decisão de Celina de não comparecer ao debate pode ser interpretada por sua campanha como uma forma de evitar novos confrontos pessoais. Por outro lado, a ausência também reduz uma oportunidade de confronto direto de propostas e de esclarecimentos diante dos eleitores.

Quanto ao episódio dos panfletos, caberá à Justiça Eleitoral avaliar se houve irregularidade e determinar eventuais providências.

Enquanto isso, uma informação precisa ficar absolutamente clara para quem vai às urnas no próximo domingo: Celina Leão disputa o Governo do Distrito Federal com o número 11. Leandro Grass concorre com o número 13.

Independentemente das preferências políticas, o eleitor tem direito a uma campanha transparente, a informações verdadeiras e à liberdade de escolher seu candidato sem confusão ou desinformação.

Da redação…

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