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Moraes sofre revés na PGR contra Mendonça e expõe fissuras no STF: o poder de antes já não é o mesmo?

Parecer de Paulo Gonet rejeita fundamentos apresentados por Alexandre de Moraes para investigar André Mendonça nos casos Master e INSS. Divergências entre ministros evidenciam uma crise interna na mais alta Corte do país.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sofreu nesta segunda-feira (19) um importante revés institucional em sua tentativa de provocar uma investigação contra o colega André Mendonça. A Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada por Paulo Gonet, concluiu que os documentos apresentados por Moraes não demonstram irregularidades suficientes para justificar a abertura de uma apuração contra o magistrado.

A manifestação, encaminhada sob sigilo ao presidente do STF, Edson Fachin, no último sábado (17), representa um obstáculo significativo à iniciativa de Moraes e acrescenta mais um capítulo à crise que envolve integrantes da mais alta Corte brasileira.

A decisão final ainda não foi tomada, mas o episódio chama atenção por uma circunstância política e institucional: uma iniciativa de Moraes, ministro que acumulou grande protagonismo em decisões de repercussão nacional nos últimos anos, encontrou resistência expressa do órgão responsável pela persecução penal.

Acusações contra Mendonça não encontram respaldo na PGR

A controvérsia começou depois que André Mendonça determinou a retirada do sigilo de mensagens envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, e Alexandre de Moraes.

Na sequência, Moraes apresentou ao presidente do Supremo documentos de inteligência da Polícia Federal e solicitou providências para investigar Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa, crime de responsabilidade e possível favorecimento político na condução das investigações sobre o Banco Master e os descontos ilegais de aposentadorias e pensões do INSS.

O problema, segundo a avaliação da PGR, está justamente na fragilidade do material utilizado para sustentar as acusações.

Os relatórios apresentados não possuíam valor probatório e continham avaliações internas, algumas delas classificadas pelos próprios analistas como de baixa ou moderada confiabilidade.

Para Paulo Gonet, não foram identificados elementos suficientes que demonstrassem a prática de abuso de autoridade por André Mendonça.

O parecer não impede definitivamente uma investigação, uma vez que a palavra final poderá caber ao plenário do STF. Entretanto, enfraquece a fundamentação apresentada por Moraes.

Uma Corte dividida e uma disputa que ultrapassou os gabinetes

O embate entre Moraes e Mendonça deixou de ser uma simples divergência jurídica.

As acusações recíprocas, as discussões sobre a condução dos inquéritos e a intervenção da Presidência do Supremo revelam um ambiente de tensão institucional.

Em setembro, Fachin determinou mudanças na condução dos procedimentos envolvendo os ministros e requisitou os processos relacionados ao Banco Master e ao INSS. Posteriormente, o plenário também discutiu como deveriam ser analisadas as controvérsias envolvendo os dois magistrados.

Esses acontecimentos demonstram que a crise não se limita à relação pessoal entre Moraes e Mendonça. Ela alcança questões mais amplas, como os limites da atuação individual dos ministros, a distribuição de competências e a necessidade de decisões colegiadas em assuntos sensíveis.

O protagonismo de Moraes enfrenta novos limites

Durante os últimos anos, Alexandre de Moraes esteve no centro de decisões importantes do Judiciário brasileiro, especialmente em processos relacionados à desinformação, às instituições democráticas e aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.

Esse protagonismo fez do ministro uma das figuras mais influentes e debatidas do Supremo.

Agora, a manifestação contrária da PGR e a intervenção de Fachin evidenciam que suas iniciativas também estão sujeitas a questionamentos e controles institucionais.

Seria precipitado afirmar que Moraes perdeu seu poder dentro da Corte ou que, em outro momento, seu pedido teria sido automaticamente acolhido. Não há elementos objetivos suficientes para estabelecer essa comparação.

O que os fatos permitem afirmar é que o ministro enfrenta, neste episódio, uma resistência institucional concreta. E isso ocorre justamente quando as relações entre integrantes do Supremo estão sob intensa exposição pública.

Para o leigo, no entanto, a conclusão que fica é que Moraes perdeu o trono e suas possíveis arbitrariedades ao longo de seu protagonismo chegaram ao fim.

Caso Master amplia o desgaste institucional

A crise ganhou novas proporções com as investigações envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro.

A divulgação de mensagens, os questionamentos sobre relações entre autoridades e personagens investigados e as divergências sobre a condução dos processos aumentaram a pressão por esclarecimentos.

Moraes nega irregularidades em suas relações com o empresário e sustenta que as acusações contra ele possuem motivações políticas. Mendonça, por sua vez, também teve sua atuação questionada no contexto das investigações.

Nenhuma dessas controvérsias autoriza presumir a culpa de qualquer ministro. Mas a dimensão pública dos episódios torna indispensável que as decisões sejam fundamentadas em provas e observem as garantias legais.

O parecer da PGR encerra a disputa?

Não necessariamente.

Embora Paulo Gonet tenha considerado insuficientes os elementos apresentados contra Mendonça, a manifestação não equivale a uma decisão definitiva de arquivamento.

O presidente Edson Fachin e o plenário do STF ainda poderão examinar os desdobramentos processuais da controvérsia.

O parecer, contudo, modifica o cenário jurídico do pedido: uma eventual investigação precisará superar as objeções levantadas pela própria Procuradoria-Geral da República.

Para o Supremo, o desafio vai além da situação individual de Alexandre de Moraes ou André Mendonça. Está em demonstrar que divergências entre seus integrantes podem ser solucionadas por critérios jurídicos, sem comprometer a credibilidade institucional da Corte.

A pergunta que permanece é se o revés sofrido por Moraes representa apenas uma derrota pontual ou se será lembrado como um dos episódios de uma transformação mais profunda nas relações de poder dentro do Supremo.

Por enquanto, a resposta depende dos próximos pronunciamentos e decisões da Corte. O fato concreto é que a iniciativa de Moraes não recebeu o respaldo esperado da PGR, e o confronto entre ministros permanece sem solução definitiva.

Da redação com informações constantes na Gazeta do Povo, Metrópoles, Folha de S.Paulo e Times Brasil/CNBC

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