Material com número diferente do utilizado pela governadora teria sido distribuído para confundir eleitores. Celina reage, cobra investigação e quer identificar quem produziu, financiou e espalhou os panfletos.
A disputa pelo Governo do Distrito Federal ganhou mais um capítulo preocupante neste segundo turno. Desta vez, a denúncia envolve a circulação de santinhos eleitorais falsos, supostamente produzidos para confundir os eleitores da governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP).
Segundo informações divulgadas neste domingo (11), materiais de campanha com o número 22, diferente do número oficial da candidatura de Celina, teriam sido distribuídos na região do Cruzeiro.
A situação levantou suspeitas de uma possível tentativa de prejudicar a candidata por meio da desinformação eleitoral, levando sua equipe a buscar a apuração dos fatos pelas autoridades policiais.
Quando a disputa política ultrapassa os limites
O episódio é grave porque atinge diretamente um dos pilares do processo democrático: o direito do cidadão de votar de maneira livre e consciente.
Um santinho eleitoral não é apenas um pedaço de papel. Ele contém informações utilizadas pelo eleitor para identificar seu candidato na urna. Quando alguém produz ou distribui deliberadamente material com numeração incorreta, com a intenção de induzir o cidadão ao erro, a situação pode deixar de ser uma simples irregularidade de campanha e assumir contornos de ilícito eleitoral.
É justamente essa possibilidade que precisa ser investigada.
A suspeita de que adversários políticos possam estar por trás da distribuição dos panfletos aumenta a tensão da disputa. Entretanto, a identificação dos responsáveis e de eventuais vínculos partidários depende da apuração policial.
Celina reage e quer os responsáveis identificados
Diante da denúncia, Celina Leão afirmou que não pretende assistir passivamente à circulação de materiais que possam prejudicar sua candidatura.
A governadora informou que pretende levar o caso à Polícia Federal, buscando esclarecer a origem dos santinhos, quem teria financiado sua produção e quem participou da distribuição.
A iniciativa representa uma resposta à possível utilização de práticas fraudulentas durante a campanha eleitoral.
Mais do que defender sua candidatura, a governadora busca impedir que eleitores sejam confundidos por informações incorretas no momento de escolher o próximo chefe do Executivo local.
Uma sequência de ataques preocupa a campanha
O caso dos santinhos falsos surge poucos dias depois de outra denúncia envolvendo materiais ofensivos contra Celina Leão.
Na semana passada, cartazes com acusações contra a governadora foram espalhados em espaços públicos de Sobradinho. A Polícia Civil do Distrito Federal identificou dois suspeitos de participação na colocação do material e iniciou a apuração de possíveis crimes de injúria eleitoral e dano ao patrimônio público.
Celina atribuiu politicamente os ataques ao PT, partido de seu adversário no segundo turno, Leandro Grass. A legenda e a campanha do candidato negaram envolvimento na produção e distribuição dos cartazes.
Embora não exista comprovação de que os dois episódios tenham a mesma origem, a sucessão de denúncias acende um sinal de alerta sobre o nível de agressividade da campanha.
Oposição precisa apresentar propostas, não alimentar suspeitas
O eleitor do Distrito Federal espera dos candidatos propostas concretas para a saúde, a segurança pública, a educação, o transporte e a geração de empregos.
É natural que uma disputa eleitoral envolva críticas, cobranças e questionamentos sobre a administração pública. Isso faz parte da democracia.
O que não pode ser normalizado é a eventual utilização de métodos fraudulentos para confundir a população ou comprometer a imagem de adversários.
Se ficar comprovado que integrantes de alguma estrutura política participaram conscientemente da produção e distribuição dos santinhos falsos, os responsáveis deverão responder por seus atos, conforme a legislação eleitoral.
A gravidade da situação exige investigação rigorosa, independentemente de quem sejam os envolvidos.
A democracia não pode ser vítima da mentira
A poucos dias da votação decisiva, o episódio reforça a necessidade de vigilância sobre a circulação de propaganda eleitoral irregular.
A denúncia apresentada pela campanha de Celina Leão precisa ser esclarecida com rapidez, especialmente para evitar que outros materiais semelhantes cheguem às mãos dos eleitores.
A Polícia Civil, a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral têm papel fundamental na apuração dos fatos, cada uma dentro de suas competências.
No fim das contas, quem perde com a disseminação deliberada de informações falsas não é apenas um candidato. É o próprio eleitor, que tem o direito de fazer sua escolha sem manipulação.
A disputa pelo Governo do Distrito Federal deve ser decidida nas urnas, com propostas, realizações e respeito à vontade popular — jamais por meio de armadilhas destinadas a enganar quem vai votar.
Se a investigação comprovar a existência de uma operação organizada para prejudicar Celina Leão, será indispensável identificar não apenas quem distribuiu os santinhos, mas também quem ordenou e financiou a iniciativa.
Porque, numa democracia, ganhar uma eleição é legítimo. Tentar conquistá-la por meio de fraude não é.




