- PUBLICIDADE -

Celina Leão amplia alianças após o primeiro turno e recebe novos apoios na disputa pelo Governo do DF

Adesão de Kiko Caputo, aproximação de integrantes do grupo de José Roberto Arruda e mobilização de partidos aliados marcam o início da nova etapa eleitoral. Movimentações podem alterar a distribuição de forças na disputa contra Leandro Grass (PT).

A corrida pelo Governo do Distrito Federal entrou em uma nova fase após as eleições de domingo (4). A governadora Celina Leão (PP), que terminou o primeiro turno com 49,93% dos votos válidos, iniciou a segunda etapa da campanha buscando ampliar suas alianças e reunir lideranças políticas que estiveram em campos diferentes na primeira votação.

Com 825.530 votos, Celina ficou à frente de Leandro Grass (PT), que recebeu 569.930 votos, equivalentes a 34,47%. A diferença entre os dois foi de 255.600 votos, segundo os resultados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão acontecerá em 25 de outubro.

O cenário ganhou novos elementos ao longo da semana, especialmente com a aproximação de antigos adversários e o reforço de lideranças que já integravam a base da governadora.

Kiko Caputo declara apoio e grupo de Arruda se aproxima

Uma das movimentações mais relevantes envolve Kiko Caputo (Novo), que terminou o primeiro turno na quarta colocação, com aproximadamente 4,36% dos votos válidos.

Após conversas iniciadas nos primeiros dias da semana, o apoio de Kiko a Celina foi confirmado no cenário político relatado pelo Correio Braziliense nesta quinta-feira (8). A adesão acrescenta à campanha uma liderança que disputou a eleição com candidatura própria e apresentou propostas independentes da atual gestão.

Outro movimento importante envolve integrantes do grupo político do ex-governador José Roberto Arruda.

Na quarta-feira (7), Celina revelou que recebeu apoio de lideranças históricas ligadas a Arruda, inclusive pessoas que não haviam participado diretamente de sua campanha no primeiro turno.

A governadora destacou a importância dessa aproximação, embora isso não signifique, necessariamente, uma declaração pessoal e formal de apoio do ex-governador. Em entrevista publicada nesta quinta-feira, ela afirmou que Arruda estava recolhido e que integrantes de seu grupo haviam decidido se aproximar de sua candidatura.

O movimento merece atenção porque o grupo de Arruda mantém relações políticas construídas ao longo de décadas no Distrito Federal. A participação efetiva dessas lideranças poderá representar uma ampliação da rede de mobilização da campanha, embora não seja possível determinar quantos votos poderão acompanhar essa decisão.

União Progressista e partidos da coligação reforçam mobilização

A federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, também realizou uma reunião de apoio a Celina nesta quarta-feira (7), reafirmando sua participação no segundo turno.

Na terça-feira (6), a governadora já havia reunido candidatos e dirigentes dos 11 partidos que compõem sua coligação, Propósito e Ação, em um encontro voltado à reorganização da campanha.

Entre os presentes estavam o candidato a vice-governador Gustavo Rocha (Republicanos) e a senadora eleita Bia Kicis (PL). Celina agradeceu o trabalho dos aliados e pediu continuidade da mobilização eleitoral.

É importante distinguir esses movimentos: o reforço da União Progressista e a participação do PL, MDB, Republicanos e demais integrantes da coligação representam a continuidade de alianças anteriores, e não necessariamente novos apoios conquistados depois de 4 de outubro.

Michelle Bolsonaro e Bia Kicis continuam no centro da articulação

As senadoras eleitas Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, permanecem entre as principais lideranças políticas associadas à campanha de Celina Leão.

As duas já apoiavam a governadora antes do primeiro turno e conquistaram as vagas do Distrito Federal no Senado. No encontro com aliados realizado em 6 de outubro, Celina voltou a agradecer publicamente a participação de ambas na campanha.

O resultado das eleições proporcionais e para o Senado também entra nos cálculos das articulações. A existência de parlamentares alinhados à governadora pode facilitar a coordenação política e a construção de uma eventual base legislativa, embora o apoio parlamentar não implique transferência automática de votos na eleição majoritária.

Apoio do Novo pode ter importância especial no Plano Piloto

Um levantamento publicado pelo portal Acorda DF, com base nos resultados por seção eleitoral, identificou uma característica importante da votação de Kiko Caputo: sua concentração em regiões como Lago Sul, Lago Norte, Sudoeste e Plano Piloto.

Votação de Kiko Caputo no primeiro turno

12,4%

Lago Sul

8,9%

Sudoeste

7,3%

Lago Norte

 

Percentuais dos votos válidos em cada região, conforme levantamento do Acorda DF.

O dado ganha relevância porque o Plano Piloto foi a única das 30 regiões analisadas pelo levantamento em que Leandro Grass terminou o primeiro turno à frente de Celina.

Na região, Grass recebeu 65.092 votos, contra 54.871 da governadora. Kiko Caputo conquistou outros 10.376 votos. Embora esses votos não possam ser automaticamente somados aos de Celina, o resultado mostra por que a decisão do Novo é uma movimentação importante na geografia eleitoral do Distrito Federal.

O apoio foi formalizado mediante uma carta de compromisso assinada por Celina, contemplando propostas de transparência, responsabilidade fiscal, critérios técnicos na administração e combate à corrupção. O Novo ressaltou que manterá independência para fiscalizar a gestão.

Paula Belmonte adota neutralidade e PSB fica com Grass

Nem todas as movimentações posteriores ao primeiro turno beneficiaram a governadora.

Paula Belmonte (PSDB), terceira colocada com aproximadamente 8,5% dos votos válidos, anunciou que seu partido não apoiará Celina Leão. A legenda decidiu liberar seus filiados para escolher individualmente entre as duas candidaturas.

Já o PSB, partido de Ricardo Cappelli, posicionou-se no campo de apoio a Leandro Grass.

A decisão do PSDB mantém em aberto o destino de uma parcela significativa dos votos do primeiro turno. O comportamento desses eleitores dependerá de fatores que vão além das orientações partidárias, incluindo propostas, avaliação dos candidatos e participação eleitoral.

Qual é o peso dessas alianças para 25 de outubro?

Resultado oficial do primeiro turno

Celina Leão (PP)

49,93%

Leandro Grass (PT)

34,47%

Do ponto de vista político, os novos apoios podem produzir efeitos em três dimensões: ampliar a presença territorial da campanha, incorporar propostas de antigos concorrentes e aumentar a capacidade de mobilização de dirigentes e militantes.

O caso do Novo é particularmente relevante por envolver uma candidatura que obteve 72.148 votos e apresentou desempenho expressivo em regiões nas quais a disputa foi mais equilibrada. Já a aproximação do grupo de Arruda acrescenta lideranças com experiência em campanhas locais.

Entretanto, existe uma diferença fundamental entre conquistar o apoio de uma liderança e conquistar o voto de seus eleitores. As urnas do primeiro turno revelam o tamanho dos diferentes grupos políticos, mas não permitem concluir que seus votos serão transferidos integralmente.

Celina chega à nova etapa com uma vantagem de 15,46 pontos percentuais registrada em 4 de outubro. Grass, por sua vez, dispõe do segundo turno para buscar eleitores de outras candidaturas, conquistar abstencionistas e disputar votos que anteriormente foram destinados à governadora.

A conclusão é que o segundo turno começa com um quadro de alianças diferente daquele observado no primeiro. Celina incorporou o apoio formal do Novo e recebeu a adesão de integrantes do grupo de Arruda, enquanto mantém mobilizada sua coligação original. O efeito concreto dessas articulações será medido pela capacidade de transformar apoio político em participação e votos no dia 25 de outubro.

Redação

- PUBLICIDADE -
- PUBLICIDADE -
- PUBLICIDADE -

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

- PUBLICIDADE -