Em sabatina do Metrópoles, governadora candidata à reeleição coloca recuperação do Banco de Brasília entre suas prioridades e apresenta planos para Saúde e Educação
A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), aproveitou a sabatina promovida pelo Metrópoles na noite desta quinta-feira (1º) para apresentar algumas das prioridades que pretende implementar caso conquiste um novo mandato. Entre Saúde, Educação e políticas sociais, um assunto ocupou posição de destaque: o futuro do Banco de Brasília (BRB).
Celina foi enfática ao afastar dois cenários que vêm sendo discutidos durante a campanha: a quebra e a venda da instituição.
Segundo ela, seu projeto é recuperar o banco e mantê-lo sob controle público, retomando aquilo que considera sua verdadeira vocação: ser uma instituição regional voltada ao Distrito Federal.
“Se não quebrou antes das eleições, não vai quebrar depois. Nós vamos recuperar o Banco de Brasília.”, afirmou Celina.
A declaração ocorre depois de meses de crise envolvendo as operações realizadas entre BRB e Banco Master, que provocaram questionamentos sobre prejuízos, liquidez e necessidade de recomposição de capital.
BRB regional e sem privatização
Celina também descartou vender o BRB.
Na entrevista, lembrou que aproximadamente 6 mil famílias dependem dos empregos vinculados à instituição e afirmou que trabalha para que o banco volte a concentrar suas atividades no Distrito Federal.
A proposta representa uma mudança de direção em relação à estratégia de expansão nacional adotada anteriormente pelo banco.
Em entrevista concedida ao próprio Metrópoles em agosto, Celina já havia afirmado que considerava um erro a tentativa de nacionalização do BRB e, principalmente, a aquisição de ativos relacionados ao Banco Master. Na ocasião, defendeu que a instituição retomasse o financiamento dos pequenos negócios, do esporte e de atividades econômicas locais.
É, portanto, essa linha que a candidata promete aprofundar caso seja reeleita: menos aventuras de expansão e maior concentração no papel de banco público regional.
Master continua sendo o ponto mais delicado
Questionada diretamente sobre o relacionamento do BRB com o Banco Master, Celina afirmou que sempre foi contrária à negociação.
Segundo a governadora, antes mesmo de assumir definitivamente o comando do GDF ela já havia manifestado oposição à operação e pretendia desfazê-la caso chegasse ao governo.
Desde que assumiu, o governo adotou medidas para tentar reorganizar a instituição. Em abril, Celina se reuniu com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para discutir a situação do BRB. Naquele período, também houve o afastamento de 12 gestores ligados à administração anterior que estava sob investigação pelas operações com o Master.
Em maio, o banco recebeu aproximadamente R$ 1 bilhão, segundo Celina, referente à primeira parcela do acordo envolvendo a venda à Quadra Capital de ativos considerados saudáveis oriundos dos negócios com o Master.
O governo também encaminhou à Câmara Legislativa medidas destinadas à capitalização do BRB. Uma das soluções discutidas envolve operação de crédito com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), dentro de um acordo firmado entre o Distrito Federal e a União.
Ou seja: a promessa de recuperação apresentada na sabatina não parte do zero. Há medidas em andamento, mas a efetividade da recuperação financeira dependerá de sua execução e dos resultados futuros do banco.
Saúde: cinco hospitais e mudança salarial no Iges
Na Saúde, Celina afirmou que pretende avançar na construção de novas unidades hospitalares. Citou os hospitais do Recanto das Emas e de São Sebastião, além dos projetos ortopédico e oncológico, e disse que há cinco hospitais em diferentes etapas de implantação.
Outro compromisso apresentado foi trabalhar para equiparar a remuneração dos profissionais do Iges-DF à dos servidores da rede pública de Saúde.
A candidata também defendeu mecanismos de gratificação por produtividade e a continuidade das parcerias utilizadas para reduzir as filas de cirurgias.
Educação entra no pacote de mudanças
Na Educação, Celina reconheceu o desafio representado pelo desempenho do Distrito Federal no Ideb e afirmou que pretende preparar melhor os estudantes para as avaliações.
Ela citou resultados obtidos por escolas cívico-militares e defendeu mudanças de gestão para elevar o desempenho da rede.
Em manifestações anteriores, a candidata também anunciou a intenção de convocar professores efetivos e reduzir gradualmente a dependência de contratos temporários na rede pública.
O BRB como uma das grandes decisões do próximo governo
Entre todas as propostas apresentadas, entretanto, poucas possuem peso financeiro e político comparável ao futuro do BRB.
A instituição participa da execução de programas sociais do Distrito Federal, mantém milhares de empregos e possui relação direta com diversas políticas públicas.
Celina chega à reta final da campanha defendendo uma fórmula bastante definida. Não vender o banco, concluir sua recuperação financeira e fazê-lo retornar à vocação regional.
É uma promessa relevante justamente porque o próximo governo terá de lidar com as consequências das operações realizadas com o Banco Master e demonstrar, por meio dos balanços e dos resultados efetivos, se a estratégia de recuperação funcionou.
Na sabatina, Celina apresentou sua resposta política: o BRB continuará sendo do Distrito Federal e deverá voltar a trabalhar prioritariamente para o Distrito Federal.
Agora, além da decisão dos eleitores nas urnas, ficará para um eventual próximo mandato a tarefa mais difícil: transformar essa promessa em números capazes de comprovar a recuperação do banco.
Da redação com inforrmações Metropoles.com


