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Mensagens de Vorcaro revelam incômodo do banqueiro com resistência de Celina ao negócio entre BRB e Master

Novas mensagens encontradas nas investigações do caso Banco Master colocaram a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), novamente no centro do debate sobre a tentativa de aquisição da instituição de Daniel Vorcaro pelo Banco de Brasília (BRB). Desta vez, porém, o conteúdo divulgado mostra algo particularmente relevante: Vorcaro demonstrava incômodo com a posição pública adotada por Celina em relação ao negócio.

A conversa ocorreu em 5 de abril de 2025, poucos dias depois de o Conselho de Administração do BRB aprovar a operação envolvendo o Master.

O diálogo não aconteceu entre Celina e Vorcaro.

Quem conversava com o banqueiro era o empresário Thiago Miranda. Ele encaminhou a Vorcaro uma reportagem que tratava das divergências existentes dentro do Governo do Distrito Federal sobre a aquisição do Master.

Miranda afirmou conhecer Celina muito bem e sugeriu que ela estaria tentando ganhar visibilidade porque teria ficado de fora da operação.

Vorcaro apresentou outra interpretação. Para ele, Celina não estaria simplesmente alheia ao assunto, mas adotando uma posição destinada a preservar sua imagem política.

O ponto mais significativo aparece logo depois.

O banqueiro afirmou que a discussão política em torno da operação não era sua principal preocupação. O que realmente o incomodava era aquilo que classificou como uma tentativa de descredibilizar sua imagem e a do Banco Master.

E acrescentou que era justamente isso que precisavam “atacar”.

Celina afirma que mensagens confirmam sua resistência

A governadora reagiu à divulgação do diálogo e apresentou uma leitura completamente diferente daquela defendida por Vorcaro.

Celina afirmou que as próprias mensagens mostram que existia incômodo com sua oposição ao negócio entre BRB e Master.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, ela reafirmou que havia se posicionado contra a aquisição meses antes do desfecho da operação e chamou atenção justamente para o trecho no qual Vorcaro fala em “atacar” o que considerava uma descredibilização de sua imagem e do banco.

Celina também declarou que nunca trocou mensagens com Vorcaro.

Segundo a governadora, o material mostra terceiros discutindo sua atuação e reagindo à resistência que ela apresentava ao negócio. Sua assessoria igualmente negou qualquer participação nas negociações.

Esse detalhe é importante.

Até o momento, o diálogo divulgado não mostra uma conversa de Celina com Daniel Vorcaro. Trata-se de Vorcaro e Thiago Miranda falando sobre ela.

Portanto, as declarações feitas pelo banqueiro sobre as motivações de Celina representam a interpretação dele sobre a postura da então vice-governadora — não uma comprovação independente de que ela tivesse participado das tratativas.

Uma frase que ganha novo significado depois do escândalo

O episódio assume dimensão ainda maior quando analisado à luz do que aconteceu posteriormente.

Naquele momento, Vorcaro aparentemente estava preocupado com os efeitos que as críticas ao negócio poderiam produzir sobre a imagem do Master.

Meses depois, a operação acabou vetada pelo Banco Central. Desde então, as relações comerciais entre BRB e Master passaram ao centro de uma ampla investigação da Polícia Federal e do STF.

As investigações e apurações internas do BRB avançaram significativamente. O banco afastou cautelarmente cinco funcionários ligados à antiga administração em razão das apurações relacionadas ao chamado “ecossistema Master”. Segundo o BRB, os afastamentos não representam antecipação de culpa.

É justamente diante desse cenário posterior que a resistência atribuída a Celina ganha novo peso político.

Uma coisa é discutir uma operação bancária enquanto ela ainda está sendo apresentada como estratégia de expansão do BRB.

Outra, completamente diferente, é revisitar aquelas divergências depois de tudo o que as investigações passaram a revelar.

O tempo mudou completamente o significado daquela conversa

Em abril de 2025, a discussão poderia parecer apenas mais uma disputa política sobre uma operação bilionária envolvendo um banco público.

Em setembro de 2026, o contexto é radicalmente diferente.

Daniel Vorcaro está preso. O caso Master é objeto de investigações da Polícia Federal e do Supremo. Operações realizadas pelo BRB estão sob investigação e escrutínio, e o banco enfrenta as consequências financeiras e institucionais do relacionamento mantido com o Master.

Por isso, aquelas mensagens antigas passaram a ter uma importância que provavelmente nenhum dos participantes imaginava quando foram escritas.

Elas não encerram a discussão sobre quem sabia o quê dentro do Governo do Distrito Federal. Também não comprovam, isoladamente, todas as afirmações feitas atualmente por qualquer dos lados.

Mas revelam um fato politicamente significativo: quando a compra do Master ainda era apresentada como uma grande operação financeira, a posição pública de Celina Leão já incomodava Daniel Vorcaro.

E, depois de tudo o que aconteceu com o Master e o BRB, essa resistência passou a ser analisada sob uma perspectiva completamente diferente.

O que em 2025 parecia apenas uma divergência dentro do governo hoje se tornou uma peça importante para reconstruir a história de uma das operações bancárias mais controversas já envolvendo o patrimônio público do Distrito Federal.

Celina quer limpar a sujeira deixada debaixo do tapete por Ibaneis, Paulo Henrique e Vorcaro em nome de um dos maiores patrimônios do governo do Distrito Federal.

Essa é a verdade!

Da redação por Jorge Poliglota…

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