Pesquisa Quaest mostra governadora com 35% das intenções de voto, enquanto ex-governador cai para 18% após ter o registro de candidatura indeferido pelo TRE-DF
A disputa pelo Governo do Distrito Federal apresenta um cenário cada vez mais favorável à governadora e candidata Celina Leão (PP). Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira, 8 de setembro, mostra a candidata à reeleição com 35% das intenções de voto, abrindo 17 pontos percentuais de vantagem sobre José Roberto Arruda (PSD), que aparece com 18%. Leandro Grass (PT) registra 17% e está tecnicamente empatado com o ex-governador.
O levantamento reforça a posição de Celina como principal nome da corrida eleitoral e evidencia as dificuldades enfrentadas por Arruda, cuja candidatura foi barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal na última semana. Embora o ex-governador tenha recorrido ao TSE e continue sua campanha, a decisão acrescentou um obstáculo jurídico relevante à sua tentativa de retornar ao Palácio do Buriti.
Celina cresce enquanto Arruda recua
Na comparação com a rodada anterior da Quaest, divulgada em 25 de agosto, Celina passou de 34% para 35%, enquanto Arruda caiu de 20% para 18%. A vantagem da governadora, que era de 14 pontos, chegou agora a 17 pontos percentuais. Grass, por sua vez, avançou de 13% para 17%, aproximando-se do segundo colocado.
Os números indicam que Celina mantém uma base eleitoral consistente e consegue preservar sua liderança mesmo diante de uma disputa competitiva. Para Arruda, o resultado é especialmente desfavorável: além de perder dois pontos, ele vê sua posição de principal adversário ameaçada pelo crescimento do candidato petista.
É importante observar que a pesquisa não permite afirmar que a queda de Arruda foi causada exclusivamente pela decisão do TRE-DF. Entretanto, o levantamento foi realizado após o indeferimento do registro, o que torna a insegurança jurídica um elemento inevitável na análise do cenário político.
O peso de uma candidatura barrada
A decisão unânime do TRE-DF, tomada em 3 de setembro, reconheceu a inelegibilidade de Arruda em razão de condenações relacionadas à Operação Caixa de Pandora. O ex-governador sustenta que as alterações na Lei da Ficha Limpa permitem sua candidatura e busca reverter o entendimento no Tribunal Superior Eleitoral.
Do ponto de vista político, a situação representa um desgaste significativo. O eleitor que acompanha a disputa passa a conviver com a dúvida sobre a possibilidade de o candidato efetivamente disputar e assumir o cargo. Para uma campanha que pretende apresentar-se como alternativa de governo, a ausência de segurança jurídica pode dificultar a consolidação de apoios e a construção de uma perspectiva de vitória.
Arruda tem o direito de recorrer e de defender sua interpretação da legislação. Contudo, também precisa responder politicamente pelo histórico de condenações que voltou a colocar sua candidatura sob questionamento. A tentativa de retorno ao governo não pode ser analisada apenas pela lembrança de gestões passadas, mas também pelas exigências de probidade e responsabilidade que a sociedade espera de seus representantes.
A governadora amplia sua vantagem no segundo turno
O desempenho de Celina também se destaca nas simulações de segundo turno. Em confronto direto com Arruda, a governadora aparece com 47%, contra 30% do ex-governador, repetindo a vantagem de 17 pontos. Contra Leandro Grass, Celina alcança 52%, enquanto o petista registra 29%.
Esses resultados mostram que a liderança da governadora não está restrita ao cenário de primeiro turno. A candidata do PP demonstra capacidade de reunir apoio em diferentes configurações eleitorais, o que fortalece sua posição na disputa pela reeleição.
A vantagem, entretanto, não significa eleição decidida. Ainda há eleitores indecisos, possibilidade de mudança de voto e uma campanha que seguirá até outubro. Pesquisas representam um retrato do momento, não uma garantia de resultado nas urnas.
O eleitor começa a separar força política de incerteza jurídica
A leitura política da pesquisa é clara: Celina chega à reta decisiva em posição de vantagem, enquanto Arruda precisa enfrentar simultaneamente o crescimento dos adversários e a batalha judicial por seu registro. A governadora dispõe da visibilidade do cargo, de uma base partidária organizada e de uma campanha que busca apresentar continuidade administrativa ao eleitorado.
Já o ex-governador enfrenta o desafio de convencer a população de que sua candidatura possui viabilidade jurídica e política. A queda de dois pontos, somada ao avanço de Grass, mostra que sua posição não está assegurada e que o cenário pode tornar-se ainda mais difícil caso a insegurança sobre o registro permaneça.
Para Celina, o momento é de consolidar a liderança, ampliar o diálogo com a população e transformar a vantagem das pesquisas em votos. Para Arruda, a mensagem é menos confortável: o passado judicial continua pesando sobre seu projeto de retorno, e a disputa pelo segundo lugar já não oferece a tranquilidade que sua campanha poderia desejar.
Dados da pesquisa: A Quaest ouviu 1.104 eleitores do Distrito Federal, com 16 anos ou mais, entre os dias 4 e 7 de setembro de 2026. O levantamento foi contratado pelo Grupo Globo, tem margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Os registros no Tribunal Superior Eleitoral são BR-04442/2026 e DF-01987/2026.
Da redação por Jorge Poliglota…




