- PUBLICIDADE -

Perícia afasta dinheiro público em ‘Dark Horse’ e reacende cobrança a quem condenou Flávio Bolsonaro antes das provas

As suspeitas levantadas nos últimos meses sobre o financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganharam um novo e importante capítulo. Uma perícia privada encomendada pela produtora GoUp Entertainment concluiu, com base na documentação que lhe foi apresentada, que os recursos empregados no filme tiveram origem privada, afastando, no material analisado, a utilização de dinheiro da Lei Rouanet ou de verbas da Prefeitura de São Paulo.

A conclusão muda significativamente o tom de uma controvérsia que provocou forte desgaste político para Flávio Bolsonaro. Desde que vieram a público conversas nas quais o senador tratava com Daniel Vorcaro sobre recursos destinados ao projeto, adversários passaram a explorar o episódio politicamente, enquanto até integrantes e influenciadores identificados com a direita cobraram explicações e fizeram críticas ao presidenciável.

O laudo foi elaborado por Anísio Costa Castelo e, segundo a reportagem da Veja, já integra o inquérito da Polícia Civil de São Paulo. É importante fazer uma distinção: trata-se de uma perícia encomendada pela própria produtora, e não de um laudo oficial produzido pela Polícia Federal ou pela Polícia Civil. Suas conclusões, portanto, representam uma peça relevante da investigação, mas não significam, por si só, o encerramento das apurações.

De onde teria vindo o dinheiro?

De acordo com a perícia, o custo total de Dark Horse chegou a aproximadamente US$ 13,39 milhões, pouco mais de R$ 75 milhões na conversão utilizada. Desse montante, cerca de US$ 9,66 milhões correspondem a despesas nos Estados Unidos e aproximadamente US$ 3,73 milhões a gastos realizados no Brasil.

O ponto central do documento está no Havengate Development Fund LP, fundo sediado nos Estados Unidos. Segundo o laudo, o Havengate celebrou contrato de investimento no projeto em fevereiro de 2025 e realizou aportes de aproximadamente US$ 13,39 milhões — praticamente o valor integral declarado como custo da produção.

Foi também para esse fundo que foram direcionados cerca de R$ 61 milhões ligados a Daniel Vorcaro, conforme informações tornadas públicas sobre as transferências. O Havengate tem ligação com Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

Na prática, a perícia sustenta que o filme foi financiado com capital privado e rejeita, dentro do universo documental examinado, a hipótese de que recursos públicos provenientes da Lei Rouanet ou de contratos da Prefeitura de São Paulo tenham bancado a produção.

Isso não significa, porém, que todas as dúvidas estejam definitivamente encerradas. Reportagens apontam que ainda não foram tornados públicos todos os detalhes sobre os financiadores, contratos e despesas do fundo americano. A Polícia Federal continua tendo espaço para aprofundar a investigação e verificar de maneira independente a origem e o caminho dos recursos.

Jeffrey Chiquini cobra desculpas

A divulgação das novas informações provocou reação do advogado Jeffrey Chiquini, conhecido por sua atuação em processos envolvendo nomes ligados à direita.

Chiquini passou a cobrar publicamente aqueles que, em sua avaliação, transformaram suspeitas ainda sob investigação em uma espécie de condenação antecipada de Flávio Bolsonaro. A cobrança não foi direcionada apenas aos adversários políticos. O advogado também criticou setores da própria direita que, diante das primeiras notícias sobre o financiamento do filme, atacaram Flávio antes que a documentação fosse devidamente examinada.

Em publicação nas redes sociais nesta quinta-feira (27), Chiquini resumiu sua cobrança em uma pergunta direta: “E AGORA? Vão pedir desculpas pro próximo presidente do Brasil?”

A manifestação toca em um problema que ultrapassa o episódio de Dark Horse: a velocidade com que investigações, vazamentos e suspeitas são transformados em sentenças políticas nas redes sociais.

Questionar um candidato, exigir transparência e defender investigação são atitudes legítimas em uma democracia. Outra coisa, porém, é tratar uma hipótese investigativa como fato definitivamente comprovado antes da conclusão das autoridades competentes.

É justamente nesse ponto que a cobrança de Chiquini ganha peso político. Parte da direita que exige cautela quando acusações atingem seus representantes também precisa aplicar essa mesma cautela internamente. Divergências são naturais, mas condenar alguém antecipadamente e somente depois procurar saber o que mostram os documentos é inverter a lógica elementar do direito: primeiro se apuram os fatos; depois se formam conclusões.

Flávio ganha argumento, mas investigação continua

Politicamente, o laudo oferece a Flávio Bolsonaro um argumento importante para responder às acusações de que dinheiro público teria financiado o filme sobre seu pai. A documentação examinada pela perícia aponta justamente na direção contrária: financiamento privado.

Ao mesmo tempo, seria precipitado afirmar que o caso está judicialmente encerrado. O ministro Flávio Dino autorizou a Polícia Federal a acessar o inquérito da Polícia Civil paulista, e as autoridades poderão confrontar as informações apresentadas pela produtora com outros documentos e movimentações financeiras.

Há, portanto, duas conclusões que podem coexistir sem contradição: a perícia apresentada até agora sustenta que não houve dinheiro público na produção; e as investigações oficiais ainda podem aprofundar a análise sobre a origem, os intermediários e o destino dos recursos privados.

Para quem condenou Flávio Bolsonaro antecipadamente, inclusive dentro do próprio campo conservador, fica agora uma reflexão incômoda: se era correto exigir explicações quando surgiram as suspeitas, também é correto reconhecer as evidências quando elas contrariam a acusação inicial.

No debate público, pedir esclarecimentos não é erro. O erro é transformar suspeita em culpa antes da prova — e depois ignorar a prova quando ela aparece.

Clique para ler a íntegra da perícia.

Da redação por Jorge Poliglota…

- PUBLICIDADE -
- PUBLICIDADE -
- PUBLICIDADE -

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

- PUBLICIDADE -