Nos bastidores da política baiana, um movimento tem chamado a atenção de analistas e lideranças partidárias. Mesmo diante da dimensão das investigações envolvendo o chamado Caso Master e das citações que atingem figuras influentes do cenário nacional, cresce a percepção de que os grupos liderados pelo ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), e pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, podem adotar uma espécie de “pacto de não agressão” durante a campanha eleitoral deste ano.
A hipótese ganhou força justamente pela ausência de ataques diretos entre os dois campos sobre um tema que, em qualquer outra disputa, teria enorme potencial para ser explorado eleitoralmente. De um lado, Jaques Wagner passou a figurar entre os alvos de medidas judiciais relacionadas às investigações do Banco Master. De outro, a oposição baiana, tradicionalmente combativa ao PT, tem mantido uma postura surpreendentemente discreta sobre o assunto.
Para observadores da política, o silêncio pode ser estratégico. Afinal, elevar o tom sobre o Caso Master poderia desencadear uma escalada de acusações capaz de atingir interesses de diferentes grupos políticos, produzindo efeitos imprevisíveis durante a campanha. Em um ambiente de polarização, abrir essa frente de batalha significaria correr o risco de transformar a eleição em um debate exclusivamente sobre investigações, delações e possíveis conexões políticas.
Outro aspecto observado é que tanto o grupo de ACM Neto quanto o núcleo político de Jaques Wagner têm interesse em manter a discussão eleitoral concentrada em temas administrativos, econômicos e locais, evitando que o Caso Master monopolize o noticiário e altere completamente o eixo da disputa.
Nos bastidores, interlocutores avaliam que uma campanha baseada em ataques pessoais e na exploração do caso poderia provocar reações em cadeia, com revelações sucessivas e desgaste para todos os envolvidos. Nessa lógica, o custo político de transformar o Caso Master no principal tema eleitoral poderia ser maior do que os eventuais ganhos eleitorais.
Naturalmente, até o momento não existe qualquer confirmação pública da existência de um acordo formal entre os grupos políticos. Trata-se de uma leitura construída a partir do comportamento observado até aqui, marcado por uma notável ausência de enfrentamento em torno de um dos casos de maior repercussão política do país.
Se essa estratégia permanecer até o fim da campanha, o silêncio poderá dizer tanto quanto os discursos. Em política, muitas vezes, aquilo que não é dito revela mais do que as declarações feitas nos palanques. E, na Bahia, o Caso Master pode acabar sendo lembrado não pelos ataques que provocou, mas justamente pelos ataques que deixaram de acontecer.
Da redação




