A política é surpreendente mesmo. É como uma nuvem no céu: em um instante está num lugar e daqui a pouco está em outro. E foi essa nuvem tenebrosa que pairou ontem sob o céu de Brasília, mas em especial sob a fortaleza do MDB local
Ao anunciar que o partido poderia deixar a base de apoio ao grupo político da governadora Celina Leão por estar “decepcionado”, o ex-governador Ibaneis Rocha, o protagonista, cercado pelo presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, do presidente regional no DF e presidente da CLDF, Wellington Luiz e mais o deputado federal Rafael Prudente acabaram dando um tiro no pé sem perceber.
A reação serena e equilibrada de Celina Leão ao anúncio, e em redes sociais, surpreendeu deputados distritais do partido que fazem parte do bloco de apoio. Celina foi firme, coesa e mostrou porque é chamada de Leoa deixando um recado claro ao MDB e a Ibaneis de que “Sucessão não é submissão” e que ela agora é a governadora.
Alguns desses parlamentares, ao perceberem a enrascada a que foram submetidos, trataram de correr imediatamente até a Leoa para prestar solidariedade. Rafael Prudente, líder da bancada federal do DF no Congresso chegou a dizer, segundo fontes internas do partido, que “entrou de gaiato no navio” e que se sentiu um “papagaio de pirata”.
Por outro lado, o presidente da Câmara Legislativa, deputado Wellington Luiz, um que endossou as palavras de Ibaneis, também procurou Celina para tentar amenizar o ocorrido afirmando aquela tradicional frase que madalenas arrependidas costumam utilizar quando percebem a cagada: “não era bem aquilo que você viu”.
O fato é que o estrago, planejado ou não, já está no palco político e as consequências só saberemos daqui a algum tempo. O MDB arriscou ao se considerar grande o suficiente para não depender de ninguém.
O eleitorado assiste de camarote, mas consciente de que ser enganado já não faz mais parte de seu processo de escolhas.
Outubro dirá…
Da redação por Jorge Poliglota



