O anúncio de uma possível saída do MDB da base política da governadora Celina Leão, longe de representar enfraquecimento político, acabou produzindo o efeito contrário ao pretendido por setores da oposição no Distrito Federal. O movimento reforçou a imagem de uma governadora independente, firme e consciente de que ocupar o comando do Palácio do Buriti exige autonomia administrativa, política e institucional.
Ao deixar claro que “sucessão não é submissão”, Celina enviou um recado direto ao ex-governador Ibaneis Rocha e ao meio político brasiliense de que o tempo da tutela acabou. Agora, quem governa o Distrito Federal é ela. E essa postura tem sido vista por aliados como um passo importante para consolidar sua autoridade diante da máquina pública e da população.
A tentativa de transformar divergências políticas em crise definitiva acabou expondo justamente o contrário. A governadora demonstrou maturidade ao não entrar em confronto público, mas também não aceitou a ideia de que seu mandato deva funcionar condicionado a interesses partidários ou vontades externas. Em Brasília, onde historicamente muitos governantes foram acusados de governar sob influência de grupos políticos, Celina parece optar por um caminho diferente, o da independência administrativa.
Essa postura fortalece inclusive áreas estratégicas do governo, especialmente a Secretaria de Comunicação, considerada por muitos uma das mais importantes estruturas de qualquer gestão moderna. No Distrito Federal, a pasta vem sendo conduzida pelo jornalista Welington Moraes, que passou a ser alvo constante de ataques de setores oposicionistas nas últimas semanas.
Grande parte dessas ofensivas partiu do chamado Vero Notícias, conhecido nos bastidores políticos do DF como o “blog do GIM”, em referência ao ex-senador Gim Argello. Os ataques, no entanto, têm sido interpretados por aliados do governo como reflexo do incômodo causado pela reorganização da comunicação institucional do GDF e pela consolidação de uma narrativa própria da gestão Celina, menos dependente de antigos grupos políticos e mais voltada à construção de identidade própria.
Nos bastidores, a avaliação é que Celina Leão começa a construir algo fundamental para qualquer projeto de reeleição, a autoridade política própria. E isso, inevitavelmente, gera desconforto em setores acostumados a controlar narrativas, decisões e espaços de poder. A possível saída do MDB, nesse cenário, pode acabar servindo como catalisador para ampliar alianças, reorganizar apoios e consolidar ainda mais a imagem de uma governadora que demonstra não aceitar interferências em sua forma de governar.
Em vez de fragilidade, o episódio acabou reforçando uma mensagem clara ao eleitorado: Celina pretende governar com independência, personalidade política e autoridade de chefe de Executivo, algo que, para muitos aliados, fortalece diretamente sua caminhada rumo às eleições para o Governo do Distrito Federal.
Da redação por Jorge Poliglota



