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O poder que subiu à cabeça e a queda de um projeto pessoal

Paulo Henrique Costa ascendeu ao comando do BRB com ampla autonomia, respaldo político e carta branca para conduzir a gestão do banco. O fez bem, até onde o poder e a ambição passavam longe de sua mente

Mas o poder, porém, parece ter produzido um efeito comum em figuras que passam tempo demais cercadas de influência: a contaminação pela própria autoridade. Aos poucos, o presidente do BRB teria deixado de agir como gestor nomeado para se comportar como se estivesse acima daqueles que o colocaram no cargo. Cargo, aliás, sugerido por membros do Centrão.

Com o controle do banco e a projeção institucional, passou a alimentar um projeto político próprio, enxergando-se como possível nome ao Governo do Distrito Federal, impulsionado pela visibilidade conquistada com programas e ações do BRB. A realidade, no entanto, impôs um freio quando o então governador Ibaneis Rocha deixou claro que sua sucessora natural seria Celina Leão, frustrando qualquer expectativa de Paulo Henrique de ser ungido como candidato.

A partir daí, o desgaste político se intensificou. O distanciamento de aliados, as reclamações sobre dificuldade de interlocução e episódios interpretados como falta de alinhamento aprofundaram a ruptura com o núcleo político do GDF. Sem espaço para avançar em suas ambições e vendo ruir o projeto de protagonismo político, Paulo Henrique teria buscado abrigo em alianças consideradas convenientes naquele momento. E o que lhe sobrara era exatamente o banco Master e aqueles que idealizaram a criação da maior organização criminosa financeira já surgida na história do Brasil.

Mas como tudo tem hora para começar e também para terminar, as estruturas criminosas do banco Master começaram a desmoronar e vieram à tona suspeitas e denúncias envolvendo irregularidades que Paulo Henrique, segundo fontes de bastidores afirmaram, aproximou-se daqueles que idealizaram a instituição. A leitura política é de que, ao perceber que não alcançaria seus objetivos maiores, escolheu se aliar a um grupo que hoje se vê cercado por graves questionamentos e investigações da Polícia Federal, PGR e STF.

Agora, sem eira e nem beira, Paulo Henrique quer delatar e desatar o novelo em que se enrolou. Preso na Papuda, está disposto a fazer um acordo de delação premiada, desde que seja transferido para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde Vorcaro, o mafioso do Master, está preso também.

O que se comenta nos bastidores do poder, é que tudo não passa de uma estratégia desesperada de ter amenizado seus anos de condenação e uma combinação com Vorcaro, sua defesa e outros interessados na cadeira 01 do Palácio do Buriti, para destruir o grupo político que pode levar Celina Leão, governadora do DF, à reeleição na Capital Federal.

Se verdadeira as especulações, entende-se agora os ataques ferozes de adversários políticos de Celina Leão em insistirem em narrativas esdrúxulas e fictícias para arrastarem seu nome à lama do Banco Master/BRB.

Por fim, o que se percebe é que como em anos anteriores, a trajetória expõe um roteiro recorrente em Brasília: Gestores que confundem poder delegado com patrimônio pessoal acabam acreditando que o cargo lhes pertence, mas quando a realidade política desmonta essa ilusão, resta apenas a dura constatação de que cargo não é coroa, e influência institucional não se converte automaticamente em capital político próprio.

Da redação por Jorge Poliglota

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