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Para condenar “Débora do baton” Moraes usou mensagens ‘apagadas’

Nas investigações contra a cabeleireira Débora Rodrigues dos Santos, condenada por participar dos atos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, a Polícia Federal apontou ausência de registros no celular de Débora. O documento apontava que não havia mensagens relevantes nos aplicativos analisados entre dezembro de 2022 e a primeira quinzena de fevereiro de 2023.

No entanto, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, utilizou em uma decisão judicial a ausência de mensagens no aparelho da cabeleireira como elemento que indicaria tentativa de ocultação de provas.

Mesmo o próprio relatório técnico da PF tendo indicado apenas uma hipótese, de acordo com os peritos, de que “poderia ser um indício” de que dados tenham sido apagados, Moraes considerou que a falta de conversas teria que ser tratada como elemento de suspeita no julgamento conduzido por ele.

Mas e as mensagens apagadas por ele nas conversas com Vorcaro?

Agora, com o vazamento das gravíssimas conversas dele com o gângster banqueiro Daniel Vorcaro,  informações reveladas a partir de dados obtidos pela Polícia Federal apontam que Moraes utilizou mensagens de visualização única em conversas o controlador do Banco Master.

Esse tipo de mensagem desaparece automaticamente após ser visualizada, impedindo que o conteúdo permaneça armazenado no aparelho.

Segundo registros encontrados no celular de Vorcaro, as conversas ocorreram em 17 de novembro de 2025, data em que o banqueiro acabou preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

Nos registros analisados, o empresário enviava informações ao ministro sobre negociações envolvendo a venda do banco e mencionava investigações em andamento.

De acordo com as informações reveladas, a comunicação ocorria por meio de um procedimento específico: cada um escrevia o texto no bloco de notas do celular, tirava uma captura de tela e enviava a imagem pelo WhatsApp utilizando a função de visualização única.

Dessa forma, as mensagens enviadas por Moraes não permaneceram registradas no aparelho de Vorcaro, enquanto os textos produzidos pelo banqueiro ficaram armazenados.

Procurado para comentar o caso, Moraes afirmou que não recebeu as mensagens citadas e classificou a divulgação das informações como uma tentativa de atacar o Supremo Tribunal Federal.

A defesa de Vorcaro informou que não comentaria o episódio.

O caso ocorre em meio às investigações que envolvem o Banco Master e seu antigo controlador.

O escândalo financeiro levou à liquidação da instituição e à abertura de diferentes frentes de apuração sobre possíveis fraudes e relações com autoridades públicas.

As revelações sobre as mensagens ampliaram a repercussão política do caso, sobretudo porque a ausência ou exclusão de conversas digitais tem sido utilizada como elemento relevante em investigações e decisões judiciais relacionadas aos atos de 8 de janeiro.

Da redação, com informações Diário do Poder

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