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A Globo não mostra: Lula é vaiado em Minas Gerais ao visitar áreas devastadas pelas chuvas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido sob vaias ao chegar a Ubá, na Zona da Mata Mineira, na manhã deste sábado (28/2), durante visita às áreas devastadas pelas chuvas que já deixaram cerca de 70 mortos e milhares de desabrigados. A reação de parte da população escancarou não apenas a dor diante da tragédia, mas também o crescente questionamento sobre as prioridades do governo federal.

Lula desembarcou no Aeroporto Presidente Itamar Franco, em Goianá, e seguiu para Ubá, onde visitou o Departamento de Assistência Social João de Freitas, prédio tomado pela água durante o temporal. Idosos precisaram se abrigar sobre colchões improvisados. Em Juiz de Fora, sobrevoou áreas atingidas, caminhou pelo bairro Linhares ao lado da prefeita Margarida Salomão (PT) e ouviu relatos de moradores que perderam praticamente tudo. Também esteve no abrigo montado na Escola Municipal Vereador Raymundo Hargreaves, no bairro Bom Jardim.

Embora a presença presidencial tenha simbolismo institucional, o valor anunciado de R$ 1,4 milhão destinado aos atingidos pelas enchentes em Minas Gerais foi considerado por muitos insuficiente diante da dimensão da calamidade. A cifra gerou ainda mais críticas quando comparada a outros gastos recentes: R$ 9 milhões para os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, gastos que somam R$ 1,4 bilhão no cartão corporativo da Presidência e R$ 1,6 milhão via Lei Rouanet para homenagem a Caetano Veloso. Para parte da população, o contraste entre recursos para eventos festivos e culturais e a ajuda emergencial às vítimas reforça a percepção de desalinhamento nas prioridades.

Em meio a esse cenário, ganhou destaque a iniciativa do deputado federal Nikolas Ferreira, que lançou uma vaquinha virtual para auxiliar as vítimas das enchentes em Minas Gerais. A mobilização popular ultrapassou a marca de R$ 2 milhões em arrecadação, superando inclusive o valor inicialmente anunciado pelo governo federal para apoio emergencial. A ação foi amplamente divulgada nas redes sociais e mobilizou milhares de doadores, evidenciando a força da articulação digital e da solidariedade direta da sociedade civil.

Por outro lado, a deputada federal Erika Hilton entrou com uma ação contra Nikolas Ferreira, criticando a iniciativa e questionando aspectos da mobilização. A atitude foi vista por apoiadores do parlamentar mineiro como uma tentativa de politizar uma ação humanitária em meio à tragédia. Para esses críticos, enquanto a população buscava soluções práticas e imediatas para reconstruir suas vidas, o embate jurídico-partidário soava deslocado e pouco sensível ao momento de dor coletiva.

O episódio acabou evidenciando dois movimentos distintos: de um lado, a cobrança por respostas governamentais mais robustas e proporcionais à gravidade da situação; de outro, a atuação individual de um parlamentar que conseguiu mobilizar recursos expressivos em curto prazo. As vaias em Ubá, somadas à repercussão da vaquinha e às disputas políticas subsequentes, mostram que a tragédia mineira ultrapassou o campo da calamidade natural e se tornou também palco de confronto narrativo sobre prioridades, responsabilidade e sensibilidade social.

Assista:

**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília

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