A decisão do banqueiro Daniel Vorcaro de desistir de depor na CPMI do INSS caiu como uma bomba na opinião pública. Não apenas pelo gesto em si, mas pelo simbolismo que carrega: quando o país cobra respostas sobre um escândalo que atingiu diretamente aposentados e pensionistas — os chamados “velhinhos do INSS” — o principal personagem simplesmente recua e evita o confronto com os fatos.
A determinação do ministro André Mendonça, relator do caso, foi clara e dura: Vorcaro deveria comparecer sob condições controladas, viajando em voo da Polícia Federal do Brasil ou em voo comercial monitorado. A medida não surgiu do nada — foi justificada pelo risco concreto de fuga do país, diante da gravidade das investigações e do tamanho do prejuízo causado.
E é justamente nesse ponto que a desistência levanta ainda mais suspeitas. Se alguém afirma não ter nada a esconder, por que recuar quando as regras são impostas para garantir sua presença? A decisão de não depor, longe de ser apenas um ato jurídico, soa para muitos brasileiros como uma confissão indireta de temor diante do que poderia vir à tona.
O escândalo investigado envolve recursos do Instituto Nacional do Seguro Social, dinheiro público destinado à sobrevivência de milhões de aposentados — pessoas que trabalharam a vida inteira e dependem desses valores para viver com dignidade. Quando surgem denúncias de fraudes bilionárias nesse sistema, o mínimo esperado pela sociedade é transparência total e colaboração irrestrita com as investigações.
Ao desistir de depor, Vorcaro não apenas evita perguntas — ele frustra um país inteiro que exige respostas. O gesto reforça a sensação de impunidade histórica das elites financeiras, que muitas vezes parecem operar acima das regras aplicadas ao cidadão comum.
No fim, a grande pergunta permanece: quem teme falar quando tem a oportunidade de esclarecer, teme exatamente o quê? Enquanto essa resposta não vier, o silêncio continuará sendo interpretado como um dos capítulos mais revoltantes de um escândalo que já feriu profundamente a confiança da população nas instituições e no sistema financeiro.
Frustração na CPMI do INSS
Para o relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar de Mendonça (União-AL), a desistência do banqueiro Daniel Vorcaro de depor à comissão do Congresso Nacional seria uma confissão de culpa.
“Eu iria lhe perguntar, Vorcaro, a que título você contratou o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes por quase 130 milhões de reais. Foi proteção que você estava atrás? Quais serviços foram ofertados? Mostre ao Brasil que esse foi um contrato sem nenhum tipo de mácula. Quantas vezes, Vorcaro, você financiou políticos na nação? Quantas vezes, Vorcaro, você botou essa República no bolso?”, disse o relator da CPMI.
**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília




