A tentativa do deputado distrital Fábio Félix de interferir em uma ação policial durante o Carnaval do Distrito Federal, que ainda repercute nas redes sociais, acabou se transformando em um episódio emblemático — não apenas pelo desfecho constrangedor, mas pela forte reprovação popular que se seguiu nas redes sociais. De críticas de colegas, como João Hermeto e Roosevelt Vilela, até música de Rapp, valeu tudo em defesa do correto.
O parlamentar, filiado ao PSOL, se colocou no meio de uma operação legítima conduzida pela Polícia Militar do Distrito Federal, que havia identificado, por meio de cão farejador, suspeita de tráfico de drogas em uma tenda próxima ao bloco. Em vez de colaborar para a manutenção da ordem, o deputado optou por adotar uma postura considerada arrogante e intimidadora, recorrendo à velha e desgastada prática da “carteirada”.
Segundo relatos amplamente divulgados, Félix tentou questionar a prisão de suspeitos e chegou a insinuar autoridade sobre os agentes, numa atitude que muitos classificaram como típica demonstração de abuso de prerrogativa política. O resultado foi imediato: ao se colocar no meio de uma situação de contenção de multidão, acabou atingido pelo spray de pimenta utilizado para dispersar o tumulto — um recurso não letal, previsto em protocolo e amplamente usado para evitar escaladas de violência.
Reação negativa e desgaste público
Nas redes sociais, a reação foi devastadora para o parlamentar. Milhares de usuários criticaram duramente sua postura, apontando incoerência entre o discurso público e a prática. Para muitos, o episódio evidenciou uma tentativa de se colocar acima da lei e de constranger servidores públicos no exercício de suas funções.
O desgaste foi tão grande que rapidamente surgiram memes, montagens e até uma música em estilo rap (Assista abaixo) satirizando o comportamento do deputado — um reflexo claro de como a sociedade passou a enxergar o episódio como símbolo de prepotência política e desconexão com a realidade.
O limite entre fiscalização e interferência
É consenso que parlamentares possuem prerrogativas de fiscalização do poder público. No entanto, especialistas e comentaristas ressaltaram que essa atribuição não pode ser confundida com interferência direta em operações em andamento, especialmente quando há risco à segurança coletiva.
Ao tentar interromper uma ação policial em meio a uma multidão agitada, o deputado não apenas criou tensão desnecessária, como também expôs foliões e agentes a uma situação potencialmente perigosa.
Consequências políticas e simbólicas
O episódio deixa uma marca negativa para a imagem do parlamentar e reforça uma percepção cada vez mais presente no debate público: a rejeição social à cultura da “carteirada”. Em tempos de cobrança por igualdade perante a lei, atitudes que sugerem privilégio ou tentativa de intimidação institucional tendem a gerar reação imediata e severa.
Mais do que um incidente isolado, o caso se transformou em um alerta simbólico — mostrando que a sociedade, amplificada pelas redes, está cada vez menos tolerante com comportamentos que aparentem abuso de poder, especialmente quando direcionados contra profissionais que atuam na linha de frente da segurança pública.
Pares criticam atitude do colega
Dois parlamentares colegas de Fábio Félix, Hermeto (MDB) e Roosevelt Vilela (PL), ambos oriundos das Forças de Segurança do DF, também criticaram a atitude nada republicana de Fábio.
“Em vez de apoiar a ação da polícia, ele tentou obstruir o trabalho dos agentes, chegando a dar voz de prisão a um policial militar. Essa atitude, além de inapropriada, expõe uma falta de respeito pelas leis que todos nós devemos respeitar, independente de cargo ou posição. É crucial que figuras públicas atuem de maneira a fortalecer a confiança nas instituições e não a comprometer a segurança coletiva”, afirmou Roosevelt Vilela.
Para Hermeto, que é subtenente da reserva da Polícia Militar, “em uma ocorrência, a autoridade máxima é a polícia que está ali cumprindo seu dever. O papel dos agentes é garantir a ordem e a segurança de todos, e isso precisa ser respeitado para que o trabalho aconteça com responsabilidade e tranquilidade. O homem e a mulher de farda merecem respeito. Quem está na linha de frente garantindo a segurança da população não pode ser tratado como qualquer um”.
Obs: Os autor do Rapp não foi identificado, no entanto o Portal está à disposição para que seja feito contato para que possamos dar os devidos créditos.
**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília





