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Fogo amigo na direita: a tentativa de desgastar Nikolas Ferreira por disputas internas

Nos últimos meses, um movimento silencioso — mas cada vez mais perceptível — tem surgido dentro da própria ala direitista do Partido Liberal. Trata-se de uma tentativa de setores e figuras internas de desgastar a imagem do deputado federal Nikolas Ferreira, espalhando a narrativa de que ele estaria tentando se desvencilhar politicamente do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A acusação, porém, não encontra sustentação nos fatos.

Nikolas segue sendo, publicamente e de forma reiterada, um dos parlamentares mais alinhados ao bolsonarismo. Suas falas, posicionamentos e votações continuam em sintonia com a base conservadora que o elegeu e com as pautas defendidas pelo ex-presidente. Não há registro concreto de rompimento político, críticas diretas ou movimentos estratégicos que indiquem afastamento real.

O que existe, na prática, é outra coisa: disputa por espaço, protagonismo e influência dentro do campo conservador.

A guerra por liderança na direita

O crescimento meteórico de Nikolas incomoda. Jovem, altamente popular nas redes sociais e com forte conexão com a base, ele se tornou rapidamente uma das figuras mais influentes da nova geração da direita brasileira. Esse protagonismo inevitavelmente desperta resistências — principalmente em grupos que temem perder relevância.

Nesse contexto, surge a velha tática política: criar narrativas para enfraquecer adversários internos.

Espalhar a ideia de que Nikolas estaria “abandonando Bolsonaro” é uma estratégia que tenta atingir dois objetivos ao mesmo tempo: minar sua credibilidade junto ao eleitorado conservador e, ao mesmo tempo, frear seu crescimento dentro do próprio partido.

O risco do fogo amigo

Esse tipo de ataque interno revela um problema recorrente na política brasileira: a dificuldade de lidar com novas lideranças sem transformá-las imediatamente em rivais.

Ao invés de fortalecer o campo ideológico comum, setores preferem entrar em disputas fratricidas, criando divisões artificiais que só beneficiam adversários políticos externos.

Na prática, enquanto a esquerda costuma operar com maior disciplina estratégica, parte da direita ainda se desgasta em conflitos internos, disputas de ego e tentativas de sabotagem entre aliados.

Narrativa versus realidade

A tentativa de pintar Nikolas como alguém que estaria “traindo” Bolsonaro parece menos baseada em fatos e mais em receios políticos: o medo de que uma nova liderança, com forte apelo popular, passe a ter peso decisivo no futuro do movimento conservador.

Mas a realidade é simples: até agora, não há rompimento — há apenas crescimento político.

E, muitas vezes, é justamente isso que mais incomoda dentro da própria casa.

**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília

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