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O silêncio ensurdecedor do STF no caso Toffoli cria uma expectativa entre blindagem e suspeição

O posicionamento dos ministros do Supremo Tribunal Federal em relação às decisões de Dias Toffoli no caso do Banco Master levanta uma questão incômoda — e cada vez mais difícil de ignorar: até onde vai a solidariedade institucional e onde começa a complacência corporativa?

As revelações da Polícia Federal, indicando a existência de conversas comprometedoras envolvendo o nome do ministro, deveriam, em qualquer ambiente jurídico que preze pela credibilidade, acender um alerta imediato. Afinal, a própria essência da Justiça repousa na confiança pública de que julgadores atuam sem qualquer sombra de conflito de interesse.

No entanto, o que se viu foi exatamente o oposto: manifestações de “apoio”, silêncio constrangedor e uma aparente naturalização de decisões que, para muitos juristas e até para leigos, parecem atravessadas por dúvidas legítimas sobre imparcialidade.

E é justamente aí que nasce a desconfiança.

Se até cidadãos comuns conseguem enxergar possíveis problemas éticos e jurídicos, como acreditar que ministros experientes — alguns dos mais respeitados do país — não tenham percebido as mesmas questões? Teriam, nos bastidores, reconhecido a fragilidade da situação, mas optado por preservar a imagem da Corte, oferecendo a Toffoli uma espécie de saída honrosa? Ou estariam convencidos de que, por ocuparem o topo do Judiciário, não precisam se submeter com rigor às mesmas regras de suspeição e impedimento que exigem de todos os demais magistrados?

Essa dúvida é devastadora para a credibilidade institucional.

Porque quando a cúpula do Judiciário passa a dar sinais de que regras podem ser relativizadas internamente, a mensagem que chega à sociedade é perigosa: a de que existe um sistema de pesos e medidas distinto — um para os cidadãos e outro para os que julgam.

No fim das contas, a pergunta que permanece é simples e inquietante: trata-se de defesa legítima da instituição… ou de um reflexo corporativo que coloca a proteção de seus membros acima da transparência que a própria Justiça exige?

Enquanto essa resposta não vier de forma clara, o maior risco não será jurídico — será a erosão silenciosa da confiança pública no próprio tribunal que deveria ser o guardião máximo da Constituição.

**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília

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