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Chico Vigilante: valentia seletiva e silêncio conveniente

Chico Vigilante gosta de posar de paladino da moral quando o alvo é a direita. Sobe o tom, esbraveja, acusa, aponta o dedo e transforma qualquer ato administrativo em “escândalo”. Mas basta as denúncias mirarem o PT — no Distrito Federal, no governo federal ou em qualquer reduto da esquerda — para que o combativo deputado distrital adote um silêncio constrangedor. A metralhadora vira mordaça.

O parlamentar que ataca adversários com verborragia inflamável parece sofrer de amnésia política crônica. Esquece-se dos episódios envolvendo governos petistas, ignora condenações históricas, relativiza escândalos e trata denúncias robustas como se fossem meras “narrativas”. Para os outros, rigor máximo. Para os seus, complacência absoluta.

Ao acusar a vice-governadora Celina Leão por uma nomeação publicada em Diário Oficial, Chico Vigilante preferiu a pirotecnia à responsabilidade. Ignorou deliberadamente o fato de que Carlos Xavier foi inocentado pela Justiça. Inocentado — palavra que deveria ter peso para qualquer defensor do Estado Democrático de Direito. Mas, curiosamente, quando se trata de aliados ideológicos, a presunção de inocência vira bandeira; quando se trata de adversários, vira detalhe descartável.

A contradição se agrava quando se lembra que o próprio Chico já foi condenado pela Justiça por ofensas públicas. Em 2017, teve que indenizar o então deputado Augusto Carvalho por danos morais após chamá-lo de “cara-de-pau”. O Judiciário foi claro ao afirmar que suas declarações não tinham caráter informativo nem interesse público, apenas expressavam desprezo. Quem tem telhado de vidro deveria moderar o discurso antes de atirar pedras.

O silêncio de Chico Vigilante diante de escândalos nacionais envolvendo figuras próximas ao PT também chama atenção. Quando surgem denúncias graves, inclusive com repercussão bilionária e impacto direto na vida dos brasileiros, o deputado não convoca coletiva, não sobe à tribuna com indignação, não exige investigação rigorosa com o mesmo fervor demonstrado contra adversários. A régua moral parece variar conforme a filiação partidária do investigado.

Além disso, é impossível ignorar os registros públicos de doações eleitorais recebidas por Chico Vigilante ao longo de sua trajetória — algumas oriundas de empresários e figuras que posteriormente ocuparam cargos estratégicos no governo. Ainda que as contas tenham sido aprovadas pela Justiça Eleitoral, o debate ético é legítimo. O discurso moralista perde força quando há, no mínimo, aparência de proximidade entre financiadores de campanha e nomeações políticas.

Chico também evita aprofundar o debate sobre o crescimento da máquina pública federal, o aumento expressivo de cargos comissionados e o impacto disso nas contas públicas. Quando o assunto é gestão, eficiência e responsabilidade fiscal, o tom inflama menos. A crítica feroz se concentra sempre no campo ideológico, nunca na autocrítica.

A postura seletiva tem custo político. Nas ruas, especialmente em regiões como Ceilândia, cresce o desgaste. Movimentos locais já articulam campanhas abertas contra sua reeleição. O eleitor está mais atento, mais conectado e menos tolerante com discursos que mudam conforme o vento partidário.

O problema não é defender Lula ou o PT — isso faz parte do jogo democrático. O problema é defender apenas quando convém e silenciar quando a coerência exigiria posicionamento firme. A política precisa de representantes com coragem constante, não de bravura intermitente.

Se Chico Vigilante quer manter o discurso de guardião da ética, precisará aplicá-lo a todos — aliados e adversários. Caso contrário, continuará sendo visto não como fiscal do poder, mas como seu fiel escudeiro ideológico. E o eleitor, cada vez mais crítico, sabe distinguir convicção de conveniência.

Ah, como agora virou moda processar quem fala a verdade, seria bom que Chico avaliasse com precisão o que é pirotecnia e o que é verdade. E da verdade, ninguém escapa, nem Lula!

**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília

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