O que será que pensam, neste exato momento, as autoridades citadas direta ou indiretamente no escândalo envolvendo o Banco Master? O que sentem juízes, ministros, políticos influentes e figurões do sistema ao saberem que a Polícia Federal conseguiu quebrar a criptografia do celular do banqueiro Daniel Vorcaro? Alívio? Tensão? Medo? Ou a incômoda sensação de que verdades até então bem guardadas podem, finalmente, vir à tona?
Quantas conversas “reservadas” deixaram de ser tão reservadas assim? Quantos diálogos que jamais deveriam existir agora repousam em relatórios da PF? Quantas articulações políticas, pedidos de ajuda, promessas de proteção ou tentativas de influência podem estar armazenadas em mensagens, áudios e arquivos que escaparam do controle de seus protagonistas?
E se esses dados revelarem muito mais do que simples contatos institucionais? E se expuserem relações impróprias entre o sistema financeiro, a política e setores do Judiciário? Quem será chamado a se explicar? Quem tentará minimizar, relativizar ou desacreditar as provas? Quem correrá para os bastidores em busca de blindagem?
Será coincidência o silêncio repentino de alguns nomes antes tão falantes? Será prudência jurídica ou puro receio do que pode ser revelado? Até que ponto a política brasileira está preparada para lidar com informações que podem desmontar narrativas, alianças e até carreiras inteiras?
Mais do que um celular desbloqueado, o que está em jogo é a quebra de um pacto tácito de impunidade. Se as mensagens apontarem interferências, favorecimentos ou pressões indevidas, haverá coragem institucional para ir até o fim? Ou veremos mais um capítulo de seletividade, engavetamentos e versões “convenientes” dos fatos?
No fim das contas, a pergunta que ecoa é simples e perturbadora: quem tem mais a perder agora que o telefone de Daniel Vorcaro começou a falar? E, quando ele terminar de “falar”, o Brasil verá justiça — ou apenas mais um grande esforço para que tudo continue exatamente como sempre foi?
**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília





