Enquanto adversários ensaiam um discurso de moderação para dialogar com o centro e reduzir rejeições, o governo Lula segue na contramão ao convocar sua militância para uma suposta “guerra” eleitoral. A retórica beligerante pode até inflamar a base mais fiel, mas soa como cortina de fumaça diante de um problema bem mais grave: a queda acelerada de popularidade do presidente, inclusive no Nordeste — região que historicamente lhe garantiu vitórias decisivas.
Os números falam por si. A aprovação de Lula encolhe, a rejeição cresce e o encanto dá lugar ao arrependimento. No Nordeste, onde o petista sempre encontrou terreno fértil, a vantagem se dissolve. O eleitor começa a cobrar o que foi prometido e não entregue. Em vez de resultados, vê um governo que gastou muito, planejou pouco e entregou menos ainda. A economia segue fragilizada, a inflação corrói o poder de compra, os juros pesam no bolso e a sensação de insegurança avança com o aumento da violência.
Chamar militantes para uma “guerra” não resolve o básico: emprego, renda, segurança e estabilidade. Ao contrário, aprofunda a polarização e afasta o eleitor cansado de conflitos e discursos vazios. A cada dia, cresce o coro de brasileiros — inclusive no Nordeste — que admitem ter acreditado em promessas que não se concretizaram. A percepção é de um governo mais preocupado em manter a militância mobilizada do que em apresentar soluções concretas para os problemas reais do país.
A fadiga é evidente. O eleitor simples, que sente o impacto direto das decisões econômicas e da falta de políticas eficazes de segurança, já não se satisfaz com narrativas. Quer entrega. Quer resultado. E, diante da frustração, começa a olhar para alternativas que prometem menos confronto e mais pragmatismo.
Flávio busca o Centro e cresce cada dia mais
Enquanto Lula busca as mesmas alternativas que outrora enrolaram seus eleitores, o candidato do PL Flávio Bolsonaro vem crescendo a cada pesquisa eleitoral. Em recente entrevista ao jornalista Paulo Figueiredo, Flávio disse: “Há uma fadiga, há uma clareza na cabeça das pessoas que votaram com o Lula em 2022. Grande parte dessas pessoas já se arrependeu. O que mais a gente vê nas redes sociais são pessoas simples […] criticando. ‘Já votei no lado de lá, mas agora não me engana mais’. Isso que eu acho que vai acontecer no país todo, em especial no Nordeste […].o que assistimos é o “derretimento do Lula no Nordeste e cada vez mais uma consolidação do Bolsonaro”.
Para citar isso, Flávio utilizou como parâmetro a pesquisa do PoderData* de janeiro deste ano, que mostrou que Lula é aprovado por 34% e desaprovado por 57%. Outros 9% não souberam responder. Quando o dado é estratificado por região, 46% dos entrevistados no Nordeste aprovam Lula, enquanto 45% o rejeitam. No levantamento feito pelo mesmo instituto** em dezembro do ano passado, na mesma região, o petista registrava 50% de aprovação e 46% de rejeição.
Se o governo insistir em transformar eleição em trincheira e crítica em inimigo, corre o risco de acelerar o próprio desgaste. A popularidade não se sustenta com palavras de ordem, mas com políticas públicas eficazes. E isso, até agora, o governo Lula não conseguiu demonstrar — nem mesmo onde sempre foi mais forte.
Da redação por Jorge Poliglota





