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Por que tantas pessoas influentes ainda acreditam na falácia do comunismo?

Tenho me perguntado por que, apesar de um século de evidências irrefutáveis sobre os fracassos do comunismo/socialismo*, com evidências concretas, inegáveis e incontestáveis da falsidade das promessas e das tragédias apocalípticas que essa ideologia – engendrada nas entranhas do inferno por seu representante maior, Karl Marx – causou ao longo das décadas, intelectuais, artistas, jornalistas e muitos empresários (todas pessoas que deveriam saber melhor) continuam a acreditar nas promessas dessa tenebrosa e criminosa ideologia.

A lista de catástrofes não é pequena; eis alguns exemplos:

Os mais de 100 milhões de mortos do século XX, sob o comunismo, segundo estimativas consolidadas em obras como O Livro Negro do Comunismo.

A miséria cubana dos Castros (sempre darão a desculpa do embargo).

Grande Salto Adiante de Mao, responsável por dezenas de milhões de mortes.

A fome e a miséria venezuelanas, engendradas pelo chavismo.

Os gulags soviéticos e a tragédia de Holodomor, de Stalin, que matou aproximadamente 20 milhões.

A prisão norte-coreana dos Kim, com suas incontáveis vítimas.

Os campos de extermínio do Khmer Rouge, no Camboja, onde mais de 1,3 milhão foram mortos.

A miséria e desesperança nos países do Leste Europeu, em dois dos quais trabalhei (Polônia e Iugoslávia) e pude ver a realidade tenebrosa em que viviam.

A miséria que vi no interior da China, na década de 80.

Por tudo que li e estudei, concluí que aqueles intelectuais, artistas, jornalistas e muitos empresários continuam acreditando na falácia do comunismo e do socialismo não porque desconhecem as tragédias e os fracassos históricos ou por falta de informação, mas porque essa ideologia atende algumas necessidades psicológicas profundas.

Substitui a religião com uma fé secular (não precisam prestar contas).

Confere status e prestígio social em círculos ditos “progressistas”.

Resiste a falsificações empíricas com desculpas prontas (o “verdadeiro comunismo nunca foi tentado”, dizem).

Induz um falso senso de superioridade moral.

Nunca podem ser provadas erradas (sempre há uma desculpa).

Promete salvação coletiva sem custo individual.

E permite serem hipócritas – desfrutam de iPhones, viagens a Paris e champagne – sem nenhum conflito de consciência.

Solzhenitsyn, em seu ensaio de 1974 Live Not by Lies (Não Viva pela Mentira), alertava que regimes totalitários dependem da cumplicidade com a mentira (temos visto o poder das mentiras nos julgamentos do “golpe”). Repudiá-la individualmente e, em sociedade, erode seu poder, como visto em colapsos históricos.

Todavia, repudiar a mentira parece ser algo impossível para os adeptos do comunismo. Exigiria descartar as vendas que cobrem seus olhos, autonegação e um sério mea culpa, coisas das quais não são capazes; acreditam, religiosamente, na ideologia que defendem.

A esse propósito, o filósofo polonês Leszek Kołakowski, ex-marxista que viveu sob o comunismo real, afirma: “o marxismo (‘comunismo’) deve ser entendido como um fenômeno religioso, não como ciência. E, como toda fé religiosa, é imune a evidências contrárias”.

Combater essa “religião secular” exige, primeiro, dimensão espiritual – oração e discernimento moral. Segundo, engajamento político ativo. A máxima de que “política é coisa suja” beneficia apenas os que a dominam, deixando cidadãos honestos e produtivos à margem, pagando impostos que sustentam o sistema.

Em minhas primeiras visitas à China, a partir de 1987, descobri um país ainda bastante atrasado: hotéis precários, aviões obsoletos, trens caóticos e estradas deficientes ou inexistentes no interior, serviços lamentáveis, só para citar alguns exemplos. Hoje, ostenta infraestrutura de ponta – aeroportos, trens de alta velocidade, portos e hotéis entre os melhores do mundo.

Inimigo declarado do comunismo, reconheço o mérito do povo chinês que, em sua essência, não é comunista, é capitalista (no fundo, no fundo, todos somos): desde as reformas de Deng Xiaoping, o “capitalismo com características chinesas” tirou 800 milhões da pobreza extrema, segundo dados do Banco Mundial. Não foi o Estado onipotente, mas a liberação da iniciativa privada – empreendedorismo, trabalho árduo e remoção de barreiras, associados a poderosos incentivos estatais – que impulsionou esse milagre.

Críticos enfatizam a ausência de liberdades políticas na China. A crítica é pertinente, mas esse debate cabe aos chineses. O fato é que o crescimento chinês refuta a narrativa de que prosperidade requer socialismo; ao contrário, floresce quando o governo “sai da frente”.

A Escandinávia é repetidamente citada como “socialismo bem-sucedido”. Na verdade, são economias de mercado com Estados eficientes e pequenos (gastos públicos abaixo de 50% do PIB). Baixa regulação, alta abertura comercial e populações homogêneas e educadas explicam o sucesso – não o welfare state ilimitado. Países como Suécia e Dinamarca lideram índices de liberdade econômica do Heritage Foundation. Mesmo lá, porém, os efeitos da imigração descontrolada decorrente de uma equivocada política de “justiça social” começam a erodir a coesão social e as finanças públicas, como, de resto, já acontece na França, Alemanha e Itália, todos de forte tendência socialista.

O comunismo não falha por implementação defeituosa, mas por ser inerentemente contrário à natureza humana; é falho “by design”!

Rubens C. Lamel é executivo de negócios internacionais e presidente do Instituto Soberania.

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