A saída do deputado Lindbergh Farias da liderança do governo Lula na Câmara dos Deputados não é apenas uma troca de nomes — é o reconhecimento tardio de um erro político grave. Longe de fortalecer o Palácio do Planalto, Lindbergh se tornou um dos principais fatores de desgaste do próprio governo que dizia defender, acumulando conflitos, isolamento e uma postura que mais afastou do que convenceu.
Em vez de atuar como articulador político, papel essencial de qualquer líder de governo, Lindbergh optou pela arrogância e pelo confronto permanente. Tratou divergências legítimas como ataques pessoais, criminalizou o debate e tentou impor uma defesa cega de um governo que, a cada pesquisa, vê sua popularidade escorrer pelos dedos. O resultado foi previsível: resistência dentro do Congresso, irritação até entre aliados e uma base cada vez menos disposta a “comprar briga” por um governo que não entrega o que prometeu.
Sua atuação nada democrática — marcada por tentativas de silenciar críticas e rotular opositores — acabou reforçando a imagem de um governo intolerante ao contraditório. Em vez de dialogar, Lindbergh escolheu gritar. Em vez de construir pontes, preferiu erguer muros. E, em política, esse tipo de postura cobra um preço alto.
A liderança de governo exige escuta, habilidade e humildade. Lindbergh ofereceu o oposto: soberba, radicalização e uma defesa automática de erros evidentes da gestão Lula, inclusive na economia, na articulação política e na relação com o Congresso. Ao agir assim, não protegeu o governo — expôs suas fragilidades e acelerou seu desgaste.
Ele até tentou buscar as redes sociais para ver se conseguia algum apoio, mas as críticas foram muito maiores. Até mesmo esquerdistas doentes e seguidores cegos desse desgoverno Lula não conseguiram disfarçar o alívio em vê-lo longe de Lula, do país e da democracia.
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Agora, o que se comenta nos bastidores, é qual será o destino da sua esposa, a ministra de Relações Institucionais de Lula, Gleisi Hoffmann, nada diferente dele, que tudo indica deve se desincompatibilizar para ver se reforça o possível Senado de Lula, já que a oposição já calcificou que em 2027 a maioria no Senado será Conservadora. Será que ela terá votos para isso? Se depender da maioria dos eleitores conscientes do Paraná, com certeza não. Lá, eles não a querem.
Pessoas próximas citam ainda o descontentamento do presidente da Câmara sobre uma campanha contra ele nas redes sociais, supostamente articulada por influenciadores ligados ao PT. Hugo atribuiu a organização da ofensiva ao líder petista.
A saída do atabalhoado Lindiberg Farias, o “Lindinho” da lista da Odebrecht, portanto, não é uma perda. É uma tentativa de correção de rota que, ao que parece, Lula tomou errada.
Resta saber se o Planalto aprenderá a lição: não se governa um país diverso com discurso autoritário, nem se recupera popularidade atacando quem pensa diferente. A queda de Lindbergh Farias simboliza algo maior — o fracasso de uma estratégia política baseada na arrogância, num momento em que o governo Lula mais precisava de diálogo, equilíbrio e resultados.
**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília





