Críticos implacáveis de Ibaneis adotam o mutismo absoluto quando denúncias atingem o governo federal e figuras históricas do lulismo.
O silêncio de Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Chico Vigilante (PT-DF), Leandro Grass (PT-DF) e Ricardo Cappelli (PSB-DF) diante das denúncias que diariamente vêm à tona no escândalo envolvendo o Banco Master não é apenas constrangedor, é politicamente revelador. Os mesmos personagens que se colocam como críticos ferrenhos, incansáveis e moralistas quando o alvo é o governo Ibaneis Rocha, agora optam por um mutismo conveniente quando as suspeitas alcançam o coração do governo federal e figuras históricas do lulismo.
As revelações são graves e sucessivas. Vieram à tona informações de que o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), confirmou a indicação de Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda de Lula, para atuar como consultor do Banco Master, com remuneração estimada em R$ 1 milhão por mês. Soma-se a isso a informação de que o ex-ministro do STF e atual ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, teria recebido mais de R$ 2 milhões por meio de seu escritório de advocacia, em operações envolvendo a mesma instituição financeira, isso já integrando o primeiro escalão do governo Lula, o que é proibido por Lei.
Diante desse cenário, a pergunta que ecoa no Distrito Federal é simples e incômoda: onde estão os críticos de plantão? Onde estão as notas inflamadas, os discursos indignados, os pedidos de apuração “rigorosa”, as entrevistas cobrando explicações, as CPIs no Congresso? O silêncio ensurdecedor desses “líderes” da esquerda local não parece fruto do acaso, mas de uma indignação seletiva, moldada de acordo com a conveniência política.
Quando o assunto é o governo do DF, qualquer suspeita vira escândalo antecipado, manchete forçada e palanque político. Mas quando as denúncias respingam em Lula, em seus ministros e em aliados históricos, a régua muda. A crítica desaparece, a cobrança se dilui e a suposta defesa da ética pública entra em recesso.
Esse comportamento mina a credibilidade de quem se apresenta como fiscal da moralidade administrativa. A sociedade do DF não exige alinhamento ideológico, mas coerência. Não se pode combater supostos abusos de um lado e fechar os olhos para fatos graves do outro. Isso não é militância responsável, é oportunismo político.
O caso Banco Master já extrapolou o campo das especulações e passou a envolver personagens centrais do poder em Brasília. Ignorar isso é desrespeitar o eleitor, enfraquecer o debate público e reforçar a percepção de que parte da classe política só grita quando lhe convém.
O DF assiste atento. E o silêncio de hoje pode cobrar um alto preço amanhã. Porque, em política, quem se cala diante de denúncias graves também escolhe um lado, e dificilmente esse lado é o da verdade ou da transparência.
**Poliglota é jornalista, especialista em políticas públicas do DF e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília





