Cresce entre eleitores a sensação de frustração diante da forma como parlamentares têm convocado manifestações políticas em finais de semana e feriados, justamente quando a Esplanada dos Ministérios está vazia, sem servidores, sem ministros, sem o funcionamento pleno das instituições que deveriam ser alvo da pressão popular. Para muitos, trata-se de um gesto simbólico que rende fotos, discursos e engajamento nas redes sociais, mas que pouco ou nada produz em termos de efeito político real, principalmente na atual conjuntura.
Apesar de em algumas situações haver apoio em certos atos, essa semana a crítica ganhou força por conta da caminhada promovida pelo deputado federal Nikolas Ferreira, que saiu de Minas Gerais com destino final em Brasília, no domingo. Porquê não encerrar essa manifestação na segunda-feira? Questionam os eleitores.
Para muitos, em especial aqueles que depositaram seus votos nas urnas em 2022, a mobilização, que carrega forte apelo popular e grande visibilidade, deveria encerrar em um dia útil, com o Congresso Nacional em funcionamento, parlamentares em seus gabinetes e a máquina pública em pleno curso. Encerrar o ato em um domingo, com a Esplanada deserta, passa a impressão de que o gesto foi pensado mais para o impacto midiático do que para a pressão efetiva sobre os poderes constituídos, apesar de todos saberem da credibilidade e confiabilidade de seu protagonista, o deputado Nikolas Ferreira.
A verdade, que muitos não têm a coragem de falar, é que o eleitor não quer mais encenações políticas. O recado das urnas em 2022 foi claro: ação, enfrentamento institucional e cobrança direta, principalmente pela Direita, assim como a Esquerda sempre fez. Manifestações em dias estratégicos, paralisações que afetem a rotina política de Brasília, presença constante nos corredores do Congresso e uso firme dos instrumentos legais disponíveis são exemplos de atitudes que traduzem respeito ao voto recebido e os parlamentares deveriam ter isso como cartilha.
O que se percebe é que há um sentimento crescente de impaciência. Quem elegeu deputados e senadores espera mais do que caminhadas simbólicas e atos em horários convenientes. Espera coragem política, disposição para o embate democrático e, sobretudo, ações práticas que produzam resultados concretos. O povo já fez a sua parte nas urnas. Agora cobra que seus representantes façam a deles — no dia, no local e da forma que realmente incomodem quem precisa ser pressionado.
E olha que pressão e incômodo é tudo que o eleitor e a população em geral esperavam dos deputados e senadores eleitos com a bandeira do conservadorismo e o estigma de Bolsonaristas.
Outubro está logo ali. Seria bom que eles começassem a levar à sério o olhar crítico que o eleitor vem depositando sobre cada um deles…
Da redação por Jorge Poliglota…





