A travessia eleitoral que se desenha para ministros do governo Lula promete ser uma das mais áridas dos últimos anos. Nomes de peso do primeiro escalão — como Gleisi Hoffmann, Rui Costa, Fernando Haddad, Camilo Santana, Sidônio Palmeira, Simone Tebet e José Múcio — carregam hoje o ônus de integrar um governo que enfrenta desgaste político, dificuldades econômicas persistentes e crescente contestação popular. Ao deixarem os gabinetes e se colocarem diante das urnas, esses ministros não encontrarão um terreno neutro, mas um eleitorado mais crítico, polarizado e disposto a cobrar resultados concretos.
A situação é ainda mais delicada para aqueles que miram o Senado Federal, caso de Gleisi Hoffmann e Simone Tebet. A disputa ao Senado tende a ser menos indulgente com discursos genéricos e mais severa com trajetórias políticas associadas a decisões impopulares. Gleisi, identificada diretamente com o núcleo duro do lulismo e com embates ideológicos constantes, terá de enfrentar uma rejeição consolidada fora de sua base militante. Já Simone Tebet, que construiu sua imagem como alternativa de “centro” e moderação, hoje lida com o ceticismo de eleitores que enxergam contradições entre seu discurso passado e sua adesão ao atual governo.
Outros ministros não escapam desse cenário de incerteza. Fernando Haddad, apesar de central na política econômica, convive com críticas sobre carga tributária, crescimento baixo e promessas que ainda não se materializaram no cotidiano da população. Rui Costa carrega o peso da articulação política nem sempre bem-sucedida, enquanto Camilo Santana enfrenta cobranças na área da educação. Sidônio Palmeira, responsável pela comunicação, lida com a percepção de que o governo tem dificuldades em traduzir ações em narrativa convincente. José Múcio, por sua vez, atua em uma área sensível, onde qualquer ruído institucional tende a ter alto custo político.
Esse quadro se agrava diante de um fator decisivo: a direita entra no próximo ciclo eleitoral com um objetivo claro e estratégico — formar maioria no Senado Federal. Diferentemente de eleições anteriores, há uma mobilização explícita para ocupar cadeiras-chave, frear o avanço do governo e impor limites institucionais ao Planalto. Isso significa campanhas mais organizadas, discurso unificado e foco direto em candidatos governistas, especialmente ministros que tentam converter poder administrativo em capital eleitoral.
Diante disso, o sucesso desses nomes está longe de ser uma certeza. O prestígio do cargo já não garante votos automáticos, e a associação direta com o governo Lula pode funcionar mais como peso do que como trunfo em muitos estados. O que se desenha é um cenário de alto risco político: ministros experientes, mas vulneráveis, enfrentando uma oposição motivada e um eleitorado desconfiado. Nas urnas, a pergunta que ecoa não é quem tem mais visibilidade, mas quem conseguirá sobreviver a um ambiente eleitoral cada vez mais hostil ao governismo — especialmente quando o Senado se tornou o principal campo de batalha.
**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília





