O escândalo do Banco Master deixou de ser apenas uma crise financeira para se transformar em um problema político-institucional de grandes proporções. As conexões do banco com agentes públicos, somadas às decisões controversas que levaram o caso ao Supremo Tribunal Federal, ampliaram o desgaste da Corte e alimentaram a percepção de interferência indevida para frear investigações sensíveis.
A condução do processo no STF colocou sob holofotes ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. De um lado, a centralização do caso, o sigilo imposto e episódios paralelos envolvendo relações profissionais e contatos com autoridades econômicas geraram questionamentos sobre conflitos de interesse e tráfico de influência. De outro, o Tribunal de Contas da União também entrou no radar, acusado de agir politicamente para pressionar o Banco Central e suavizar os efeitos da liquidação do banco.
Esse ambiente de desconfiança institucional cria um terreno fértil para a oposição explorar eleitoralmente o discurso de que haveria um “consórcio” entre Executivo, Judiciário e órgãos de controle para proteger aliados e interesses específicos. Caso avance a instalação de uma CPMI, o potencial de desgaste se multiplica, com risco de novas revelações atingirem figuras de peso em Brasília e contaminarem o debate eleitoral de 2026.
Para o presidente Lula, que busca a reeleição, o caso pode se tornar um passivo relevante. Se adversários conseguirem associar o escândalo à instabilidade jurídica, à fragilização das instituições e a possíveis impactos econômicos, o discurso de normalidade institucional e bem-estar econômico perde força. Ao mesmo tempo, o STF, já pressionado por críticas sobre excesso de poder, vê sua imagem ainda mais comprometida, especialmente se a “caixa-preta” do Banco Master continuar fechada.
**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília





