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Governo do Discurso Social e professor no congelador: Lula barra o piso e escancara a contradição

O governo Lula, que se elegeu sob o discurso da valorização da educação e dos trabalhadores, decidiu começar o ano impondo um duro golpe justamente em quem sustenta a base do sistema educacional: os professores. Ao anunciar que editará uma Medida Provisória para barrar o reajuste do piso salarial da educação básica, o Planalto troca a promessa de valorização por uma manobra fiscal travestida de “responsabilidade”.

Na prática, o governo interfere em uma regra estabelecida por lei desde 2008, justamente porque o resultado do cálculo não lhe agrada. O reajuste previsto de 0,37% — irrisório e ofensivo diante da inflação acumulada — é usado como pretexto para mudar o método de correção, mas não para garantir ganho real aos educadores. Em vez de corrigir a distorção com diálogo e planejamento, opta-se pelo atalho autoritário da MP, empurrando o problema para o Congresso e para o futuro.

A justificativa oficial é a falta de previsibilidade e o impacto nos cofres de estados e municípios. No entanto, o mesmo governo que relativiza o piso dos professores não demonstra o mesmo rigor quando se trata de outras despesas ou concessões políticas. O discurso da austeridade aparece seletivamente — e sempre às custas de quem tem menos poder de pressão.

O mais grave é o esvaziamento deliberado do diálogo. O grupo de trabalho criado para discutir o tema simplesmente parou de se reunir desde outubro. Reuniões foram canceladas sem explicação, e o consenso nunca foi buscado com seriedade. Quando o debate falha, entra a caneta presidencial. É um método conhecido, mas decepcionante para um governo que se apresenta como democrático e social.

O anúncio de que o reajuste do piso salarial nacional do magistério para 2026 deve ficar abaixo de 1% (com estimativas variando entre 0,37% e 0,85%) gerou uma forte onda de críticas por parte de sindicatos e parlamentares contra o governo Lula. A notícia, que começou a circular no início deste mês, aponta para uma perda real no poder de compra dos professores da educação básica.

Ao barrar o aumento do piso, Lula envia uma mensagem clara: a educação volta a ser prioridade apenas no palanque. Na prática, o professor continua sendo tratado como custo, não como investimento. E um país que escolhe economizar em sala de aula dificilmente terá autoridade moral para discursar sobre futuro, desenvolvimento ou justiça social.

**Poliglota é jornalista e Editor-chefe do Portal Opinião Brasília

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