O recente pedido de empréstimo de R$ 20 bilhões, aprovado pelo Conselho de Administração para os Correios, não representa uma medida de salvação — representa o escancaramento de um fracasso de gestão e de responsabilidade por parte do governo federal. Entre janeiro e setembro de 2025, os Correios acumularam um prejuízo de aproximadamente R$ 6 bilhões, repetindo o que já se tornou padrão: 13 trimestres consecutivos no vermelho.
Esse cenário dramático não é fruto apenas de “tempos difíceis” — resulta de decisões que penalizam a empresa, seus trabalhadores e a população. A queda de receita (inclusive por decisões governamentais como a tributação de encomendas internacionais que reduziram o volume de entregas) acompanhada de um aumento drástico nas despesas administrativas e obrigações trabalhistas evidencia uma gestão desastrosa, marcada por má administração e falta de planejamento.
Agora, o governo — que deveria zelar pela eficiência de uma estatal que presta serviço público essencial — opta por transferir o problema para o tesouro público, ou seja: para o contribuinte. Pedir R$ 20 bilhões não é apenas recorrer a um “socorro”. É transformar o cidadão em avalista de uma administração incapaz de reverter vã-estrutura e de reduzir gastos ineficientes. Tal decisão soa não como um ato de responsabilidade, mas como um à vontade para permitir que o círculo vicioso — prejuízo, empréstimo, prejuízo, empréstimo — continue indefinidamente.
Ao invés de usar os recursos públicos para tapar buracos consecutivos, o governo deveria assumir postura de transparência e exigir uma verdadeira reestruturação: auditoria independente, revisão profunda de custos, responsabilização da gestão, enfim, um plano realista para salvar os Correios — ou admitir que a estatal, como está, não deveria continuar a pesar nas contas do Estado.
Deixar que uma empresa com histórico de 13 trimestres consecutivos no vermelho dependa de empréstimos bilionários — com aval do Tesouro — revela que o governo prefere maquiar balanços do que promover mudanças estruturais. O resultado é evidente: quem paga a conta é o povo.
Da redação com auxílio de IA





